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Eu Não Sou Gabriela #Aniversário





Sábado passado estava no metrô quando entrou um rapaz conversando no celular. Bom, "no celular" é modo de falar, pois ele falava tão alto que o vagão inteiro participou da conversa dele. Entre muitas reclamações numa briga tensa com a ex-mulher pelo direito de ver o filho de 5 anos, ele falava em alto e bom: "eu nasci desse jeito, você me conheceu assim e aceitou porque quis. Eu vou morrer assim, sou grosso mesmo, sou estúpido mesmo, sou teimoso mesmo e não vou mudar nunca, quem não gostar de mim desse jeito que vá embora e me deixe em paz".

Como deve ser horrível a vida de quem pensa assim...

Ano passado, no meu aniversário de 30 anos, em meio a uma crise existencial sem precedentes, escrevi que gosto de viver e que quero viver ainda muito tempo, se possível não apenas trinta, mas trinta vezes três. Hoje, completando 31, continuo com a mesma vontade de viver. Estou descobrindo só agora coisas que os outros descobriram há muito tempo atrás, e quero viver essas coisas boas que a vida me oferece. Mas a consciência que tenho esse ano é a de que, para viver com qualidade de vida, preciso estar aberto à mudanças. 

Quero não apenas viver, mas estar atento à minha vida. Perceber as coisas que me acontecem e que acontecem à minha volta e filtrar o que posso absorver e o que devo rejeitar. Perceber o que devo reforçar e o que devo mudar. Há sim coisas em mim que precisam de mudança urgente, hábitos que tenho e preciso abandonar, e coisas que não faço e preciso começar a fazer. Quero estar aberto ao novo em minha vida. Abraçar pessoas que, com a cabeça de antes, eu não abraçaria. Fazer coisas que eu não faria. Ser mais leve. Encarar as coisas com menos seriedade.  

Eu não sou Gabriela e não vou morrer da forma como nasci. Afinal, se fosse pra encerrar a vida da mesma forma como ela começou, que graça teria? O legal da vida são as mudanças. Você se comparar com anos atrás e perceber que muita coisa além da idade mudou; perceber que mudaram "hábitos, lugares, inclusive as pessoas ao redor". O legal de sentir o tempo passar é que frases de efeito como "a vida passa depressa" deixam de ser apenas frases bonitinhas para ser uma constatação. O tempo está passando. Se eu não me atualizar e correr junto, vou apenas assistir a vida passar e ficar para trás. E isso é tudo o que eu não quero.

Preciso sim, me mexer. Me reinventar, me reposicionar. Continuar atualizado. Estar alerta e trazer para mim o que é bom. Se precisar mudar, mudarei. Só não quero ficar para trás na vida. Trinta e um anos denunciam que o tempo não para, mas mostram também que ainda é tempo de pegar o trem, mesmo já em movimento.

Quero mudar para estar apto a aproveitar tudo de bom que a vida oferecer, pois a vida não é um bem renovável. Ela se gasta e não volta mais. Cada tempo perdido é realmente perdido. Como diz José Mujica no vídeo abaixo, que guardo como reflexão para esse aniversário, não se pode comprar vida.

E vamos em frente!

Trinta Vezes Três #30 Anos



Não é fácil chegar aos trinta anos. Cheguei a eles ontem, dia 15 de agosto, mas ainda não acostumei com a ideia. Vai levar uns dias pra aceitar que saí da casa dos vinte. 

Acho que é por isso mesmo que chegar aos trinta é difícil. Não sou mais o “garoto com um futuro todo pela frente”. Já cheguei nesse futuro que me falavam há dez anos atrás. Espera-se de um cara com trinta anos que, se já não tem algo bem sucedido na vida, que tenha pelo menos um bom projeto engatilhado. E não tenho nem um nem outro. Ainda estou na fase de descobrir o que quero da vida. Mas será que algum dia a gente descobre exatamente? 

As vezes esqueço a idade que tenho. Penso que ainda sou o adolescente de 17 anos – e as vezes me comporto com um. Aliás, alguns dos melhores amigos que tenho tem menos de 20 anos. As vezes, pra minha alegria, alguns deles falam “meu, eu pensei que você tivesse tipo, minha idade, sei lá!”. Quem dera! 

Agora, olho para minha vida e faço aqueles questionamentos que a gente faz quando tá na bad, ou quando tá bêbado, sabe? Coisas tipo “o que eu tenho na vida?” Bom, faço coisas que gosto – gosto de tudo que faço? Não, mas quem gosta? Tenho à minha volta pessoas que sei que gostam de mim do jeito que eu sou, mesmo com minhas imperfeições e manias. Tenho sim, meus traumas e meus problemas, mas venho tratando todos eles, um a um. Tenho uma família que, mesmo pequena, se importa comigo. Que mais eu quero? 

Chego aos trinta com novo ânimo. Tenho a vontade de viver dos 20, a responsabilidade dos 40 e os cabelos brancos dos 70. E assim vamos levando. O futuro? Não sou eu quem me navega. Quem me navega é o mar, então deixa a vida me levar. Vida, leva eu? 

Se continuar como estou hoje, quero viver mais trinta. E outros trinta. Se chegar aos noventa com a vontade de viver que tenho hoje, sei que terei sido muito feliz. O que vai me acontecer? No caminho eu descubro.

Carpe Diem