Aprendi | #Crônicas
Que amores eternos podem acabar mais rápido que se imagina.
Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
Que pessoas que você admira podem lhe dar o pior golpe.
Que desilusão não é algo tão ruim, pois significa que você estava iludido, e agora não está mais.
Que ouvir conselhos é o melhor remédio e o pior veneno.
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.
Que na maior parte da sua vida a única pessoa com quem você vai poder contar é com você mesmo.
Que o “nunca mais“nunca se cumpre; Que o “para sempre“ sempre acaba.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
Que vou cair e levantar milhões de vezes.
Que usar uma pessoa pra esquecer outra é a pior coisa.
Que vou morrer sem ter aprendido tudo.
(Esse foi um dos primeiros textos postados no antigo Blog Novas Ideias em 2018).
Entrevista com Deus
Apresentador: Pronto, pessoal, voltamos! E agora voltamos com tudo, porque nosso convidado é mais do que especial! (Fala em tom de suspense)
(Plateia): oooooh!
Apresentador: Sim, é isso mesmo! As coisas mais belas desse mundo e as maiores atrocidades humanas já foram feitas em nome Dele. Por causa dele pessoas mudaram suas vidas e outras mataram inocentes. Deus, Alá, Brahma, Senhor ou Jeová dependendo da religião, é talvez a figura mais controversa da história. Milhões de crenças no mundo pensam ter a fórmula correta para chegar a ele. Em nome dele igrejas são abertas diariamente. Líderes enriquecem e pessoas simples empobrecem. Para chegar ao nosso convidado as pessoas criam cultos, rituais, magias, caminhos e uma infinidade de formas de alcançar o divino. Mas será que é tão difícil assim esse contato? Nossa produção foi pesquisar, e o resultado é algo totalmente inesperado. Olha só!
(Toca a vinheta novamente. Entra o vídeo com a entrevista. Entrevistador veste camiseta polo azul e calça jeans. Ao lado dele, uma garota de uns 22 anos, cabelos pretos longos até a altura dos ombros. Magra, de aproximadamente 1,60m. Pele em tom pardo. Usa calça jeans clara, camiseta "baby look" branca com o texto "I'm Here" em letras pretas. Pouca maquiagem, batom leve. Usa um tênis branco e nos braços tem uma pulseira simples. Tem ar de garota inocente. Sorri meio sem jeito. Ambos estão sentados num banco de praça de alguma avenida tranquila. Ao fundo, crianças passeiam de bicicleta. O entrevistador está sentado de lado com as pernas cruzadas. A garota mantém as pernas juntas e ambas as mãos apoiadas no banco )
(Plateia): oooooh!
Apresentador: Sim, é isso mesmo! As coisas mais belas desse mundo e as maiores atrocidades humanas já foram feitas em nome Dele. Por causa dele pessoas mudaram suas vidas e outras mataram inocentes. Deus, Alá, Brahma, Senhor ou Jeová dependendo da religião, é talvez a figura mais controversa da história. Milhões de crenças no mundo pensam ter a fórmula correta para chegar a ele. Em nome dele igrejas são abertas diariamente. Líderes enriquecem e pessoas simples empobrecem. Para chegar ao nosso convidado as pessoas criam cultos, rituais, magias, caminhos e uma infinidade de formas de alcançar o divino. Mas será que é tão difícil assim esse contato? Nossa produção foi pesquisar, e o resultado é algo totalmente inesperado. Olha só!
(Toca a vinheta novamente. Entra o vídeo com a entrevista. Entrevistador veste camiseta polo azul e calça jeans. Ao lado dele, uma garota de uns 22 anos, cabelos pretos longos até a altura dos ombros. Magra, de aproximadamente 1,60m. Pele em tom pardo. Usa calça jeans clara, camiseta "baby look" branca com o texto "I'm Here" em letras pretas. Pouca maquiagem, batom leve. Usa um tênis branco e nos braços tem uma pulseira simples. Tem ar de garota inocente. Sorri meio sem jeito. Ambos estão sentados num banco de praça de alguma avenida tranquila. Ao fundo, crianças passeiam de bicicleta. O entrevistador está sentado de lado com as pernas cruzadas. A garota mantém as pernas juntas e ambas as mãos apoiadas no banco )
Entrevistador: sim, meus amigos, não tenho a menor dúvida que vocês irão se impressionar, assim como eu me impressionei quando a conheci. De início não acreditei que essa menina fosse quem diz ser, mas ela provou estar falando a verdade, então vamos lá. Essa garota ao meu lado é ninguém menos que Jeová, o Deus Todo Poderoso!
(Garota sorri e abana para a câmera)
Entrevistador: Eu tentei de todas as formas começar a nossa conversa sem mencionar minha surpresa ao te conhecer, mas não consegui. Sinceramente, você é muito diferente de tudo o que eu imaginei a vida toda sobre Deus...
Deus: (sorrindo) Sério? Sabe que sempre me dizem isso? Na verdade até já me acostumei, as pessoas nem sempre me imaginam da forma correta.
Entrevistador: Sim, as pessoas pensam em Deus como um homem...
Deus: ...maduro de uns sessenta anos, meio gordo, de barba branca, cara de bonzinho. Então, esse não é Deus. Esse é o Jô Soares (risos).
Mas você tem sempre essa fisionomia? Porque você não combina nem um pouco com o Deus Poderoso de guerra do Antigo Testamento, muito menos com o Pai de Jesus Cristo do Novo Testamento.
Depende. Gosto de me mostrar assim. Impressiona. Alias, adoro frustrar expectativas. A pessoa vem cheia de imagens sobre mim e páááá! Sou totalmente o oposto. Sobre as imagens antigas, a gente precisa entender que o que se diz na Bíblia - que eu aliás nunca li inteira - se passa em épocas muito antigas, em culturas muito diferentes da atual. No Antigo Testamento a cultura da época era a do "olho por olho", a da guerra, a de resolver as coisas na conquista física. Por que eu iria chamar as pessoas ao diálogo se a forma como se resolviam as coisas era com a guerra? Estamos falando de um mundo bárbaro, um mundo sem qualquer noção de direitos humanos. Eu não sou um extraterrestre para tentar fazer algo totalmente desproporcional. Se as coisas se resolviam na guerra, eu estava na guerra com eles. Quando vi que a coisa tinha se perdido totalmente, que os homens estavam completamente sem rumo, andando sozinhos, achei que era a hora de voltar pra cá, tentar me reconectar com vocês, tentar entender como era viver aqui. Essa era uma sociedade totalmente patriarcal, focada na figura do pai, que sonha em ter um filho homem. Se eu viesse aqui como uma menina de 22 anos ninguém me ouviria. Se eu viesse como um guerreiro forte os mais simples teriam medo de mim. Por isso vim como o "filho de Deus", pra me conectar com os que se sentiam sozinhos, sem uma figura paterna. Não vim como o Pai. Vim como o cara que tinha contato com o Pai. Entende?
Mas então não seria mais correto lhe chamar de "Deusa", já que você é mulher?
Mas eu não sou mulher. Nem homem. É complicado de explicar. Aliás, tudo que me envolve é meio complicado, mas um dia vocês entenderão. Sou mais complexa do que se poderia definir em palavras. Não sou humana, mas não sou um espírito. Gosto de dizer apenas que "Eu Sou". É o que? Quem? Não tem como explicar. Apenas sentir. Saca?
Entendi. Agora, mudando um pouco de assunto, como você nasceu? Quem criou Deus?
Deus: (sorrindo) Sério? Sabe que sempre me dizem isso? Na verdade até já me acostumei, as pessoas nem sempre me imaginam da forma correta.
Entrevistador: Sim, as pessoas pensam em Deus como um homem...
Deus: ...maduro de uns sessenta anos, meio gordo, de barba branca, cara de bonzinho. Então, esse não é Deus. Esse é o Jô Soares (risos).
Mas você tem sempre essa fisionomia? Porque você não combina nem um pouco com o Deus Poderoso de guerra do Antigo Testamento, muito menos com o Pai de Jesus Cristo do Novo Testamento.
Depende. Gosto de me mostrar assim. Impressiona. Alias, adoro frustrar expectativas. A pessoa vem cheia de imagens sobre mim e páááá! Sou totalmente o oposto. Sobre as imagens antigas, a gente precisa entender que o que se diz na Bíblia - que eu aliás nunca li inteira - se passa em épocas muito antigas, em culturas muito diferentes da atual. No Antigo Testamento a cultura da época era a do "olho por olho", a da guerra, a de resolver as coisas na conquista física. Por que eu iria chamar as pessoas ao diálogo se a forma como se resolviam as coisas era com a guerra? Estamos falando de um mundo bárbaro, um mundo sem qualquer noção de direitos humanos. Eu não sou um extraterrestre para tentar fazer algo totalmente desproporcional. Se as coisas se resolviam na guerra, eu estava na guerra com eles. Quando vi que a coisa tinha se perdido totalmente, que os homens estavam completamente sem rumo, andando sozinhos, achei que era a hora de voltar pra cá, tentar me reconectar com vocês, tentar entender como era viver aqui. Essa era uma sociedade totalmente patriarcal, focada na figura do pai, que sonha em ter um filho homem. Se eu viesse aqui como uma menina de 22 anos ninguém me ouviria. Se eu viesse como um guerreiro forte os mais simples teriam medo de mim. Por isso vim como o "filho de Deus", pra me conectar com os que se sentiam sozinhos, sem uma figura paterna. Não vim como o Pai. Vim como o cara que tinha contato com o Pai. Entende?
Mas então não seria mais correto lhe chamar de "Deusa", já que você é mulher?
Mas eu não sou mulher. Nem homem. É complicado de explicar. Aliás, tudo que me envolve é meio complicado, mas um dia vocês entenderão. Sou mais complexa do que se poderia definir em palavras. Não sou humana, mas não sou um espírito. Gosto de dizer apenas que "Eu Sou". É o que? Quem? Não tem como explicar. Apenas sentir. Saca?
Entendi. Agora, mudando um pouco de assunto, como você nasceu? Quem criou Deus?
Cara, sabe que eu não sei? Não tenho nenhuma recordação da minha infância, nem uma foto, nem nada. Nunca nem vi meus pais, sei lá. Não lembro de nada que se remeta a um passado meu. Só me lembro de estar aqui desde sempre. Estranho, né?
Foi você quem realmente criou o mundo?
Bom, de algum lugar tudo isso aqui saiu, né? Eu tava meio sem ter o que fazer, os anjos ocupados ensaiando, aí pensei: poxa, preciso arrumar alguma coisa pra fazer, senão vou cair num tédio insuportável! Aí mexi numas células, coisa aqui e ali, muitos fenômenos químicos e físicos, e quando vi aconteceram umas explosões malucas. Coisa linda de ver! Aí depois surgiu uma imensidão de água, com superfície, e eu pensei "noooossa, que que é isso, mano?" Haha Mas era bem bonito. Visto de cima, então, uma obra de arte.
Mas pera, você não criou o planeta Terra em seis dias e descansou no sétimo, como diz na Bíblia?
Uau, vou entender isso como um elogio! Esse planeta levou 4,5 bilhões de anos pra adquirir a forma que tem e você diz que eu fiz em seis dias! Rapaz! (risos). Mas falando serio, essa história de fazer em seis dias e descansar no sétimo é só uma lenda. Uma "alegoria", se você prefere. Até porque uma das atribuições de Deus é nunca se cansar, e mesmo que eu cansasse não tenho onde tirar férias!
Mas e a história de Adão e Eva, paraíso, pecado, etc?
Sabe que já li essa história e achei até fofa? Tão bonitinha, homem e mulher peladinhos num Paraíso cheio de plantas bonitas, animaizinhos pulando pelos campos, borboletas por todos os lados, cobras voando... Mas essa história é meio fraquinha, sabe? Serve só como ilustração, mesmo! Além do mais, várias religiões tem histórias parecidas para explicar o início do mundo.
É verdade que seu povo preferido é Israel, descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, povo para quem o Messias foi prometido, etc?
Ah, Israel já mudou tanto! De vez em quando Moisés me conta umas histórias tão engraçadas sobre esse pessoal. Até bezerro de ouro já fizeram! Ainda bem que hoje em dia é um país evoluído, rico, com gente bonita. Só podiam ser menos violentos, né? Ainda mais com os palestinos! Deixa aquele pessoal construir casa na Faixa de Gaza, poxa! É até melhor pra dar uma vida naquele lugar, só tem areia naquilo! Ah, e pra vocês que são jovens, sabiam que eles tem umas baladas fantásticas lá? Já fui, mas não vou porque não suporto barulho. Já basta ter que suportar umas igrejas por aí que gritam o tempo todo.
Tantas religiões foram criadas no mundo com o objetivo de chegar até você. É tão difícil assim?
Ué, você teve dificuldade de falar comigo?
Hmm, não!
Então, não sei porque essa gente complica tanto as coisas. Quando você quer falar com alguém o que você faz? Procura a pessoa e fala. Simples. Fala, pô! Tô ouvindo. Inventaram uma infinidade de religiões, rituais, intercessores, fórmulas, caminhos, rezas, passos, receitas para falar comigo. As vezes eu dou risada, mas tem dias que me irrito com essas coisas. Vejo gente fazendo as maiores bizarrices pra falar comigo, subindo escada de joelho, andando quilômetros, e eu aqui, olhando para o infeliz e pensando: era só você começar a falar...
Mas as vezes você demora pra responder...
Olha, não é que eu demoro pra responder. É que eu não respondo, mesmo! O WiFi no ceu não é dos melhores e o 4G da Tim é horrível, então as vezes fico sem Whats (risos). Brincadeiras à parte, gosto de ouvir as pessoas falarem comigo, mas não respondo ninguém. Até fico junto à pessoa, ao lado, seguro na mão e etc, mas não dou resposta. Prefiro não interferir na vida de ninguém, sabe? É melhor você mesmo procurar sua resposta dentro de você, com maturidade e responsabilidade. E nas decisões que você tomar #tamujunto (faz uma hashtag com os dedos indicador e médio das duas mãos).
Mas e as pessoas que se dizem "seus mensageiros"?
Não briguei com ninguém pra precisar de mensageiros pra falar alguma coisa. Se eu quisesse eu mesmo falaria com ela, ué. Só que não falo com ninguém, como já expliquei na pergunta anterior.
Você tem representantes na Terra?
Hmm, não. Prefiro eu mesmo tratar pessoalmente quando tenho alguma coisa pra resolver com alguém aí. Essa história de escolher representantes nem sempre dá certo. Esse pessoal distorce o que você diz, sabe. Sou adepto do "faça você mesmo".
E o Malafaia? Não te representa?
E o Malafaia? Não te representa?
Quem é esse?
Silas Malafaia, da TV...
Não sei quem é. É algum participante desses realities de TV? Acho que nunca nem vi esse nome.
Não! Também é pastor, da Assembleia de Deus, etc.
Vixe, agora é que não sei mesmo quem é haha É que eu não tenho acompanhado muito esses pastores ultimamente, sabe? Não sei quem ainda é, quem deixou de ser, quem virou pastor agora. Como essa gente briga, né? Separam, brigam e separam de novo, depois brigam e separam mais uma vez... Ah, desisti! Falei: "quer saber? Se resolvam aí que eu tô em outra".
Em outra? Em qual?
Não, não é em nenhuma outra igreja! Agora me considero uma "personal God". Chique, né? Gosto de acompanhar esses que me procuram por conta própria, sem o agenciamento de nenhum líder nem a autorização de nenhuma religião.
O que acha do Papa Francisco?
Ai, amo ele! Ele tem uma cara engraçada, né? Parece que quer rir o tempo todo. Fofo! São Francisco de Asis adora ele.
Mas na Idade Média se acreditava que a Igreja Católica era sua representante na Terra, e o Papa era representante de Jesus.
Claro que não! Já viu as roupas que aqueles Papas usavam? Se quando eu vim da primeira vez fiquei no meio do mato num frio da por... Eita, não posso falar palavrão. Enfim, fiquei num frio terrível, porque eu iria agora querer luxo, ostentação?
Aliás, só agora percebi que estou lhe chamando de você o tempo todo. Os judeus antigos tinham tanto cuidado, sequer pronunciavam seu nome, e eu lhe chamando de "você"...
Mas pode chamar. Sou de casa haha Antigamente tinham tanta chatice com meu nome. Até entendo que era por respeito e tals, mas nossa, nem precisava de tanto. Pode me chamar de você, vc, moça, Deus, como quiser! rs
Você ama os gays?
Nossa, sabe que eu A-DO-RO essa alegria toda deles? Por que eu teria algo contra a homossexualidade?
Mas não dizem que é pecado o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Olha, sendo entre humanos, a decisão é de vocês. Homem e homem, mulher e mulher, homem e mulher, dois homens e uma mulher, fiquem à vontade. Só me convida pra cerimônia. Eu amo casamentos! Ah, e não é por nada não, mas quando eu vou nas festas as vezes faço um open bar de vinho... hahaha
E é a favor de eles adotarem crianças?
E o que há diferente em um gay que o impeça de fazer alguma coisa que um hétero faz? Adotem crianças, adotem animais, cuidem de velhos, comprem, vendam, façam o que vocês bem entenderem.
A vida no ceu não é meio tediosa?
Olha, tava ficando, viu! Aí chamei uma galera boa aqui e a coisa ficou mais animada. Há pouco tempo chegou aquele cara que fazia aquele jornal, alguma coisa Rezende. Chegou na porta gritando "corta pra mim aqui, Deus". O pessoal se irritou na hora, mas ele é de boa. Entrou sem problemas. Quanto a coisa aqui ser tediosa, no geral não tenho do que reclamar. Tenho boa música - aliás, como a Amy Winehouse canta bem, hein?! E Janis Joplin, então? Maaaano! E semana passada Renato Russo fez um acústico aqui pra gente, coisa finíssima! Tô bem acompanhado. Agora tô muito afim de trazer o Sílvio Santos pra cá. Imagina ele e Hebe juntos? Mas o cara não dá brecha. Difícil!
Deus, alguma coisa te chateia?
Hmm, não muitas coisas, viu? Sou bem resistente. Mas tem coisas que as vezes me deixam meio assim, tipo quando vejo alguém se desmerecer, se sentir menor do que realmente é. Tipo mulher que se sente inferior por ser negra, por ser pobre, por ser mãe solteira, por ser baixinha, gordinha, e por aí vai. Olho pra pessoa e penso: véi, cê tem tanto potencial, tão inteligente, tão linda, tão forte, e se desmerecendo assim? Vai pra cima. Passa por cima do passado, vence o que te puxa pra baixo. Não existe situação, sofrimento, trauma do passado que tenha força o suficiente de te segurar. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Eu tô do seu lado sempre. Se sua intenção é boa, eu tô do seu lado. Vamos, caminha! Vai em frente!
Já que você falou em traumas e sofrimentos, preciso perguntar: porque as pessoas sofrem? Por que parentes queridos morrem, enfim, por que há o sofrimento?
Veja bem, eu não sou a pílula que trás felicidade instantânea. O nome disso é Viagra (risos). Mas falando sério, o mundo é difícil mesmo, cara. Tirando eu e a Avril Lavigne, todos vão envelhecer. A morte é a única certeza desse mundo. Alguns irão mais cedo do que deviam, outros depois de viverem muitas experiências. Alguns de forma injusta, vítima de violência, bala perdida. Sabe como se chama isso? Existência humana. faz parte da vida, cara. Uma vez que você nasceu, tá sujeito a essas coisas, infelizmente. Eu seria muito babaca se ficasse controlando um por um na forma como leva a vida, protegendo, evitando passar por sofrimento. O que vocês devem pensar quando perdem um parente querido é o seguinte: ao invés de lamentar pela morte dele, se lembre dos momentos bons que teve com essa pessoa. E são esses momentos bons que vão te fazer ver a vida de outra forma. É tão bom ter boas lembranças de alguém, não é? E, nessas boas lembranças, conte com meu abraço, meu aperto de mão, meu apoio. Saudade é um dos sentimentos mais puros e nobres da humanidade. Aproveitem, desfrutem a saudade, ela é linda!
Deus, alguma coisa te chateia?
Hmm, não muitas coisas, viu? Sou bem resistente. Mas tem coisas que as vezes me deixam meio assim, tipo quando vejo alguém se desmerecer, se sentir menor do que realmente é. Tipo mulher que se sente inferior por ser negra, por ser pobre, por ser mãe solteira, por ser baixinha, gordinha, e por aí vai. Olho pra pessoa e penso: véi, cê tem tanto potencial, tão inteligente, tão linda, tão forte, e se desmerecendo assim? Vai pra cima. Passa por cima do passado, vence o que te puxa pra baixo. Não existe situação, sofrimento, trauma do passado que tenha força o suficiente de te segurar. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Eu tô do seu lado sempre. Se sua intenção é boa, eu tô do seu lado. Vamos, caminha! Vai em frente!
Já que você falou em traumas e sofrimentos, preciso perguntar: porque as pessoas sofrem? Por que parentes queridos morrem, enfim, por que há o sofrimento?
Veja bem, eu não sou a pílula que trás felicidade instantânea. O nome disso é Viagra (risos). Mas falando sério, o mundo é difícil mesmo, cara. Tirando eu e a Avril Lavigne, todos vão envelhecer. A morte é a única certeza desse mundo. Alguns irão mais cedo do que deviam, outros depois de viverem muitas experiências. Alguns de forma injusta, vítima de violência, bala perdida. Sabe como se chama isso? Existência humana. faz parte da vida, cara. Uma vez que você nasceu, tá sujeito a essas coisas, infelizmente. Eu seria muito babaca se ficasse controlando um por um na forma como leva a vida, protegendo, evitando passar por sofrimento. O que vocês devem pensar quando perdem um parente querido é o seguinte: ao invés de lamentar pela morte dele, se lembre dos momentos bons que teve com essa pessoa. E são esses momentos bons que vão te fazer ver a vida de outra forma. É tão bom ter boas lembranças de alguém, não é? E, nessas boas lembranças, conte com meu abraço, meu aperto de mão, meu apoio. Saudade é um dos sentimentos mais puros e nobres da humanidade. Aproveitem, desfrutem a saudade, ela é linda!
Pra encerrar: você existe mesmo?
Sabe que as vezes tenho essa dúvida? Não tem espelho no ceu pra eu me ver, cara, acredita? As vezes eu fico pensando: será que eu sou mesmo Deus, o Todo Poderoso Jeová ou sou só uma louca, igual aquele Inri Cristo? Sei lá, mas em todo caso vou levando. Um dia a gente descobre. Ou não, vai saber...
A Oração do Pai Nosso, segundo os cristãos brasileiros contemporâneos
Pai Nosso que estás no céu mas que daí de cima, de forma ditatorial e com mão de ferro, controla cada canto do universo e cada ação humana.
Santificado seja o Teu Nome, custe o que custar e doa em quem doer.
Venha a nós, e apenas a nós que concordamos com a doutrina ensinada e criada em nossas igrejas, o Teu Reino; aos demais, apenas o inferno.
Seja feita a Tua Vontade, assim na terra como nos ceus, exceto se Tua Vontade for diferente do que diz o estatuto de nossas igrejas; nesse caso prevalecerá a Nossa Vontade, em detrimento da Tua.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje, para que possamos sustentar com luxo nossos pastores que vivem do nosso dízimo e das nossas contribuições.
Perdoa as nossas dívidas, mas não na mesma medida com que perdoamos a quem nos deve, pois preferimos praticar a Lei de Talião, sendo sempre "olho por olho, dente por dente".
Não nos deixeis cair em tentação para que, da forma hipócrita como fazemos, possamos esconder nossa vontade de praticar coisas que a Igreja diz serem erradas e condenar os que tem liberdade para fazer.
Livra-nos do Mal, e permita-nos definir o que é o mal, para que possamos combater com veemência tudo aquilo que achamos que não seja certo, mesmo que sejam coisas inofensivas que não atinjam ninguém, mas ferem nosso orgulho.
Porque Teu é o Reino, o Poder e a Glória, mesmo que na Terra nós nos comportemos como se tudo isso pertencesse aos líderes das grandes igrejas.
Amém.
A Vida Não É Igual a Friends
Sim, é mais fácil passar um camelo no fundo de uma agulha do que encontrar uma pessoa que ainda não tenha assistido a pelo menos um episódio de Friends. O longevo seriado americano criado por David Crane e Marta Kauffmann, que foi gravado entre 1994 e 2004, ainda hoje continua sendo o enlatado mais eficiente na função de prender a atenção de pessoas ao redor do mundo (o ocidental, pelo menos). Friends conta a história de um grupo de amigos – Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross - que passam, sempre juntos, por situações complicadas do cotidiano. Novo emprego, novo amor, novos sonhos, expectativas, dificuldades de relação coma família, tudo é vivido em conjunto pelos amigos, que trocam suas experiências e se ajudam – ou não – nas mais variadas situações.
Talvez seja esse o segredo de Friends: mostrar a realidade de qualquer jovem, seja americano, brasileiro, inglês. Guardadas as devidas proporções, quem nunca passou pelas situações mostradas na cena? Todos nós temos nosso momento de crise, e a série mostra exatamente como cada um de nós reagiria diante de situações adversas. É difícil não se identificar com algumas das situações muito bem retratadas na série. Quem nunca se sentiu meio bobo diante de um amor, como a Rachel? Ou quem nunca foi um “forever alone” como Joey? Ou ainda quem nunca tentou agradar uma mulher e viu tudo dar errado como o “fofo” Ross?
O grande problema é o ambiente que a série cria, que nem sempre será uma realidade para todos. Em Friends a vida é baseada no convívio entre bons amigos, que sempre estão disponíveis um para o outro, seja para se ajudar, seja apenas para tomar um café no Central Perk. A vida em Friends é uma vida de pessoas bem relacionadas, com amizades bem construídas. Cada um ali é “amigo do peito” do outro, o “amigo certo das horas incertas”, para quem se confidencia os segredos mais profundos, para quem se conta as dúvidas mais inquietantes. Isso é muito bom quando você tem um amigo do tipo. Mas nem sempre esse amigo existe.
Uma das grandes realidades de qualquer pessoa é o famoso “período de solidão” que cada um de nós enfrentamos, quando nos vemos diante de situações complicadas e tendo que tomar decisões “sozinhos”. Sim, tem momentos na sua vida em que é você e pronto. Você não vai ter uma Jennifer Anniston pra chamar de sua e deitar no ombro enquanto desabafa sobre suas dúvidas (bem que eu queria... rs). Maturidade, na verdade, é isso: saber tomar decisões e encaminhar as coisas mesmo quando você não tiver a quem consultar. Se fosse para consultar alguém sempre você não precisaria sair da casa dos seus pais, correto?
Friends acaba por nos passar a ideia de que a vida só é perfeita quando você tem um grupo de amigos com quem contar o tempo inteiro. Por mais bem relacionado que você seja, por mais amigos e mais contatos no WhatsApp que tenha, você vai passar por situações em que não vai ter ninguém para chamar. Essa ideia de um mundo perfeito onde todos são bem relacionados o tempo inteiro, onde você sempre vai ter uma "best" ou um "brother" é uma ilusão que só existe em seriados e novelas teen, e trazer essa ideia para a vida real pode ser perigoso, pois pode resultar em frustração e decepção.
Enfim, a série tem seu valor, tanto que durou dez anos sempre batendo recordes de audiência e com atores recebendo valores na casa do US$ 1 milhão por episódio. Mas deve ser vista como um bom entretenimento. Só isso.
Será que deus existe?
Estou em uma nova crise de fé.
Nasci em um ambiente bastante religioso ou, como diria um certo senhor autoproclamado cristão, em um lar "terrivelmente evangélico". Meu nome não é Weslley por acaso, aliás. A inspiração vem do maior nome do protestantismo tradicional inglês, John Wesley, um dos criadores da Igreja Metodista - não, na época em que nasci o Safadão ainda não era famoso, talvez nem fosse nascido. Segui todo o ritual esperado de uma criança nascida em ambiente cristão: cantei no conjunto de crianças, me batizei aos 14 anos, cantei no conjunto de jovens, preguei em púlpitos, cantei, participei de congressos, tirei fotos com pastores, era admirado pelas irmãs do círculo de oração. Além disso, venho de uma família devota quase fanática da Assembleia de Deus, maior congregação pentecostal brasileira e a segunda mais antiga do Brasil. Meus avós e todos os tios foram batizados lá. Mais do que vir de uma família evangélica (ou "nascer em berço evangélico", como se diz por lá até hoje), cresci em um "Christian Way of Life", um estilo de vida baseado no pentecostalismo, que vai muito além de se declarar membro de uma igreja evangélica. Há todo um modo de se comportar, de pensar, de encarar a vida e as coisas em geral baseado no cristianismo pentecostal, que extrapola e muito os limites físicos da igreja. Essa é a diferença entre os "praticantes" e os "simpatizantes". Sei todas as palavras certas a serem usados nos momentos certos, todas as gírias evangélicas, todos os jargões, como pensam, as estratégias para cativar multidões. Conheço inclusive as "línguas estranhas" que os pentecostais gostam de usar em seus cultos. Sempre brinco que, se eu quisesse, poderia hoje mesmo me declarar pastor e abrir uma igreja. Com o conhecimento do modo cristão de vida, mais as técnicas de marketing adquiridas nos anos de experiência da profissão, em pouco tempo eu teria uma igreja forte em termos de público - e em arrecadação.
Só que, com a adolescência e os desejos "impuros" da puberdade, além do ingresso no ambiente universitário, que me proporcionou contato com outras formas de pensamento, depois de conhecer a filosofia, a sociologia, ao conviver com pessoas de fora da minha bolha cristã e perceber que elas não eram tão satânicas como a igreja me havia feito crer a vida inteira, me permiti fazer algo até então impensável para um membro fiel de uma igreja evangélica:
De início, e por muito tempo, me questionei apenas a forma como Deus era apresentado, como um homem controlador, que mantém o mundo em suas mãos, sob rígido controle, e pune ferozmente quem lhe desobedece, com doenças ou problemas sérios (o que é chamado de "pesar a mão") até que a pessoa se arrependa e passe a frequentar uma igreja evangélica. Questionei esse deus e, para minha surpresa, conheci diversas pessoas que também o questionavam. Não só pessoas, mas conheci igrejas que também questionavam o Deus sádico que sente prazer em punir. Enfim, resumindo 22 anos da minha vida em um parágrafo, tomei uma decisão que para muitas pessoas é algo simples e banal, mas que para mim foi a maior decisão da minha vida até então:
Migrei para a Igreja Betesda, principal nome evangélico desse movimento que questiona o deus controlador dos pentecostais e apresenta um deus amoroso, parceiro e que sofre junto com a humanidade, um Deus que não intervém em nada por respeitar o livre arbítrio, mas que está ao nosso lado para apoiar e dar forças. Essa mensagem me convenceu e me manteve satisfeito em minha fé por um bom tempo.
Questionar minha fé.
De início, e por muito tempo, me questionei apenas a forma como Deus era apresentado, como um homem controlador, que mantém o mundo em suas mãos, sob rígido controle, e pune ferozmente quem lhe desobedece, com doenças ou problemas sérios (o que é chamado de "pesar a mão") até que a pessoa se arrependa e passe a frequentar uma igreja evangélica. Questionei esse deus e, para minha surpresa, conheci diversas pessoas que também o questionavam. Não só pessoas, mas conheci igrejas que também questionavam o Deus sádico que sente prazer em punir. Enfim, resumindo 22 anos da minha vida em um parágrafo, tomei uma decisão que para muitas pessoas é algo simples e banal, mas que para mim foi a maior decisão da minha vida até então:
Sair da igreja onde cresci
Migrei para a Igreja Betesda, principal nome evangélico desse movimento que questiona o deus controlador dos pentecostais e apresenta um deus amoroso, parceiro e que sofre junto com a humanidade, um Deus que não intervém em nada por respeitar o livre arbítrio, mas que está ao nosso lado para apoiar e dar forças. Essa mensagem me convenceu e me manteve satisfeito em minha fé por um bom tempo.
Só que, como humanos que somos, somos eternamente insatisfeitos, comecei a me permitir questionar inclusive essa mensagem do Deus frágil e sensível pregado pela nova corrente evangélica. Me permiti fazer uma simples pergunta: se Deus não me protege de nada, se Deus não me livra de perigos, se Ele não me protege de assaltos, assassinatos e toda a sorte de maldades desse mundo, se ele não cura doenças, se não fala comigo, tudo isso para "não interferir no livre arbítrio humano", por que eu preciso criar uma estrutura imensa, pesada e cara, para crer nele? Ou seja,
Na visão dessas igrejas, Deus passa a ser uma espécie de "amigo imaginário", para quem você conta todos os seus problemas mas sabe que não terá qualquer resposta. A função de Deus nesse caso é menos válida que a de um psicólogo ou de um coach, pois o profissional pelo menos te ajuda a encontrar caminhos a seguir. Se levarmos essa visão de fé ao pé da letra, Deus seria facilmente substituível por uma roda de colegas, por um grande amigo, por uma esposa ou marido parceiro.
Para que crer em Deus?
Na visão dessas igrejas, Deus passa a ser uma espécie de "amigo imaginário", para quem você conta todos os seus problemas mas sabe que não terá qualquer resposta. A função de Deus nesse caso é menos válida que a de um psicólogo ou de um coach, pois o profissional pelo menos te ajuda a encontrar caminhos a seguir. Se levarmos essa visão de fé ao pé da letra, Deus seria facilmente substituível por uma roda de colegas, por um grande amigo, por uma esposa ou marido parceiro.
E novamente aqui estou em em minha crise de fé.
Tenho sérios receios de declarar minha "não crença" em deus. Primeiro porque não estou no meu melhor momento psicologicamente falando, e a ausência da figura de deusfaria eu me sentir sozinho demais criaria um vazio que não sei como preencher. Por maiores que sejam minhas dúvidas, ainda me sinto bem agradecendo a Deus no fim do dia, ou pedindo a ele que me oriente quando estou em dúvidas. Se ele atende? Não sei, mas gosto de agradecer.
Essas crises são maiores aos domingos de manhã ou a noite, horários de culto na Igreja Betesda. Já faz alguns meses que não apareço na igreja, e a cada domingo me sinto um puco mais culpado por isso. Mas quando estou lá, as vezes me sinto meio deslocado, como se não conseguisse acreditar piamente da forma como as pessoas que lá estão acreditam.
Ainda não sei o que fazer. Essa não é uma questão crucial, que preciso resolver a toque de caixa, então o que vou fazer é
Esperar até que eu me sinta orientado a fazer a coisa certa. Quem sabe o próprio Deus não me oriente. Sim, Deus, se você existe, essa é uma oração: me ajude, eu tô precisando.
Crer ou não crer em Deus? Ele existe?
Tenho sérios receios de declarar minha "não crença" em deus. Primeiro porque não estou no meu melhor momento psicologicamente falando, e a ausência da figura de deus
Essas crises são maiores aos domingos de manhã ou a noite, horários de culto na Igreja Betesda. Já faz alguns meses que não apareço na igreja, e a cada domingo me sinto um puco mais culpado por isso. Mas quando estou lá, as vezes me sinto meio deslocado, como se não conseguisse acreditar piamente da forma como as pessoas que lá estão acreditam.
Ainda não sei o que fazer. Essa não é uma questão crucial, que preciso resolver a toque de caixa, então o que vou fazer é
Esperar
Esperar até que eu me sinta orientado a fazer a coisa certa. Quem sabe o próprio Deus não me oriente. Sim, Deus, se você existe, essa é uma oração: me ajude, eu tô precisando.
Ela
Ela estava lá.
Perto e inacessível.
Comigo, mas sozinha.
Ao meu lado, mas distante.
E eu, que queria tanto pode dizer a ela o que ela realmente significava, tive de engolir em seco, e apenas estar ali, sendo mais um entre as milhares de pessoas que a rodeavam.
Queria dizer que estar ali com ela significava muito pra mim.
Mas não disse.
Apenas ri de alguma piada boba e continuei com ela, mas sozinho. Ela sorria como se gostasse da companhia, mas da companhia de alguém legal, um entre tantos outros vários que ela já devia conhecer.
Eu era apenas mais uma companhia legal. E assim preferi permanecer. Não por minha vontade, mas porque as circunstâncias assim me obrigavam.
Sob o brilho da lua
São mais de onze da noite, e a lua cheia insiste em roubar a visão de qualquer um que se aventure a olhar para cima. Da sacada da janela do quarto andar de um hotel barato e sem qualquer luxo Fernando olha a lua, que fica embaçada vista por detrás da fumaça do cigarro. No velho rádio Maysa enche o ambiente com Meu Mundo Caiu. O único ítem que adiciona algum glamour ao ambiente é o vinho do porto sobre a mesa de ferro ao lado da cama, onde também está a foto da esposa, a mesma a quem dedicara tanto amor e que agora não queria nem vê-lo. Já está hospedado ali há alguns dias, e pretende sair dali logo. Não sabe quando voltará para casa. Não sabe se voltará para casa. Sabia que a casa que fora sua, apesar de ainda a pertencer, não era mais seu lar. Não era mais bem vindo por lá. Fora enxotado do ninho que construíra com tanto carinho. Esqueceu-se por um momento da lua e passou a olhar a foto da esposa. Ela sorri, olhando para o lado, como se algo tivesse roubado a atenção dela logo no momento em que a foto fora tirada. O que a teria feito desviar o olhar? Não sabia, mas agora se via na mesma situação do dia em que aquela foto fora tirada: ele concentra toda sua atenção na mulher que ama, enquanto algo fútil desvia a atenção dela. Sofria por estar ali, mas sabia que não havia outro remédio.
Não havia jantado e não iria jantar. Não tinha fome. Naquele momento tinha outras sensações mais importantes para sentir. O medo do abandono. A sensação de não pertencer a lugar algum. Sabia que uma simples ligação para a recepção encerraria seu vínculo com aquela espelunca. Mas não fora também uma ligação que havia acabado com vinte e cinco anos de um relacionamento estável? Nada de mais, nada de brigas intermináveis, nada de escândalos na rua, de pratos quebrados. Apenas uma ligação, e um "eu não te amo mais" foram o suficiente para encerrar uma fase na vida de Fernando. Como aquilo havia acontecido? Quando o amor de sua querida Sabrina havia acabado? Não perguntou nada disso. O amor havia acabado, e era a única coisa que precisava saber. Qualquer coisa a mais seria excesso de informação. Diante da expressão fria de sua ex-amada, reuniu o que era seu, colocou em uma mochila se seguiu sua vida, sem saber para onde. Levava nas costas o que sobrara de anos de construção, de trabalho, de dedicação. Tudo cabia numa bolsa. Só então percebeu que as únicas riquezas que havia acumulado na vida não eram físicas. Eram imateriais. E essas riquezas se foram água abaixo, junto com o amor de Sabrina.
Ainda pensava quando a campainha tocou. Apagou o cigarro no batente da janela e foi até a porta. Do outro lado uma mulher de minissaia jeans e camiseta transparente o aguardava, fumando e com uma bolsa minúscula. Não parecia ser tão nova, mas não era velha. Era bonita, até. Nem era tão gostosa como dizia ser no anúncio do jornal velho que encontrara na cama do quarto quando entrara ali pela primeira vez, mas servia. Fez sinal para que entrasse. Tirou da carteira o dinheiro e entregou à Brenda, a garota de programa que havia contratado para aquela noite. Fez sinal para que ela se deitasse na cama e ele se sentou ao lado da mesa de ferro. Tirou os sapatos, a meia, a calça, camisa, cueca. Olhou a foto de Sabrina sobre a mesa. Tirou a aliança do dedo e colocou em frente ao quadro. Deitou-se na cama e, sob o brilho da lua cheia e ainda ao som de Maysa, Fernando transou loucamente com a mulher que havia pago para ser sua durante algumas horas.
Ele estava a fim de você. Não está mais.
E no final de tudo aquele cara, aquele mesmo que você chamou de amigo, aquele a quem você confidenciou segredos que nem seus pais sabem, aquele para quem você desabafou quando estava se sentindo mal, aquele com quem você pôde contar sempre, era exatamente esse o cara que estava a fim de você.
Sim, menina. Ele estava a fim de você.
Claro, ele adorava, como ainda adora, ser seu amigo. Ele gosta da sua companhia, gosta de passar horas conversando com você, seja conversas sérias sobre a vida ou sobre a religião, seja bobagens corriqueiras ou fofocas da vida dos outros. Mas ele queria algo a mais com você. E você não percebeu.
Mesmo sabendo de todos os seus defeitos, mesmo conhecendo a bagagem pesada que você tem chamada passado, mesmo sabendo da vida complicada que você leva, ainda mais comparada com a vida leve e simples dele, ele estava a fim de embarcar nessa. Estava a fim de te conhecer mais do que como uma "amiga" e, mesmo que tivesse que enfrentar um mar agitado, ele estava a fim de aprender a nadar para cair de cabeça nesse mar. Tudo para ter algo a mais com você.
Ele estava apaixonado? Talvez essa não seja a palavra, visto que paixão é coisa boba, sentimento tolo que apenas os adolescentes se podem dar ao luxo de ter. No alto de sua maturidade, ele queria mesmo era te apoiar, poder te abraçar quando você se sentir sozinha e te dizer o quanto você é especial, o quanto você é forte, o quanto ele se sente privilegiado por ter uma menina firme e doce como você. Queria poder te beijar e te dizer para ficar tranquila. Ele queria sim ser seu porto seguro, ser a mão onde você pode segurar, o corrimão onde você pode se apoiar quando precisar subir os degraus íngremes da vida adulta. Ele estava disposto a ser aquele que você poderia chamar de "o homem da minha vida".
Mas você não percebeu nada disso.
Não só não percebeu como preferiu continuar procurando entre as mesmas figurinhas repetidas de sempre, como se estivesse em uma grande loja de roupas, mas procurasse sempre apenas peças da mesma seção, e insistisse em encontrar algo diferente, mesmo sabendo que irá encontrar apenas mais do mesmo. Você se deixou levar por status, por condição financeira, por coisas efêmeras que o tempo leva embora tão fácil como vieram. e com tudo isso abriu mão te algo com quem realmente te queria de verdade, com a sinceridade e a "sorte de um amor tranquilo".
E agora? Agora ele não quer mais.
Não quer porque, antes de querer você, ele tem algo raro chamado "amor próprio", amor esse suficiente para o privar de se entregar a algo não correspondido. Ele sabe que, mais ainda que te querer, ele quer bem a ele mesmo, o bastante para que ele não se dê ao luxo de sofrer por alguém que não o vê mais do que um amigo. Se é amizade, que seja amizade. Assim será. Assim agem as pessoas maduras, e assim ele agirá. Aprendeu isso de forma fácil? Não, perdem-se as contas de quantas vezes ele quebrou a cara em amores não correspondidos, até que aprendesse a se amar antes de amar outra pessoa. Se a outra pessoa não o quer, ele se quer. E isso é tudo.
Ele estará lá para sua amizade, quando você o procurar. Mas agora a vida dele segue normalmente, até que encontre outra pessoa - ou outra pessoa o encontre - e possa recomeçar essa ladainha chamada "estar a fim".
Eu Prometo | #Reflexão
Ainda não te conheço. Não sei onde você mora, com quem mora, não sei da sua vida, seus costumes. Não sei sua fisionomia. Se é loira, morena, ruiva, cor natural ou com tintura, alta ou baixinha, magrinha ou gordinha, se faz o tipo "gostosa" ou não, se tem dentes perfeitos ou se ainda usa aparelho. Se tem o cabelo liso ou encaracolado. Não sei se seus lábios são pequenos ou grandes, se seus olhos são castanhos ou verdes, se seu rosto é oval ou quadrado. Não sei se tem personalidade forte ou se é maleável. Se gosta de ter sempre a última palavra em tudo ou se está sempre aberta a outras opiniões. Não sei o que você gosta de fazer aos domingos à tarde, nem nos sábados à noite. Não sei se você gosta de café fraco, bife malpassado, Nutella ou pipoca de micro-ondas. Não sei se já tem quase trinta ou se acabou de completar 18. Não sei quem são seus amigos, se você é tímida como eu ou expansiva, se é popular ou passa despercebida, se gosta de baladas ou prefere comer pizza em casa. Não sei quem são seus pais, se são gente boa ou implicantes que pegam no pé da filha, não sei se tem irmãos ou irmãs, se já tem sobrinhos, quem são seus tios, tias, avós, primos. Não sei se você já tem filho ou se ainda é virgem. Não sei quais são seus costumes. Não sei se vem de família tradicional ou moderna, se a família é perfeita ou se tem brigas entre tios. Não sei quais são seus medos. Não sei o que te faz sentir receio, quais são seus limites físicos e psicológicos e o que te assusta. Não sei quais foram seus relacionamentos anteriores, se sofreu com eles, se amou muito, se foi enganada, se enganou, se chegou ao noivado, se jurou amor eterno, se usou aliança, se talvez foi até casada.
Não, eu não sei nem quem é você. Talvez nem saiba se você existe, de fato. E você também não sabe quem eu sou. Pode ser que você também nem saiba que eu existo. Mas te prometo uma coisa: quando te conhecer e você me der a chance de te conhecer, vou te amar como nunca amei ninguém na vida.
Prometo ser a base da sua vida, para onde você sabe que pode recorrer sempre que precisar. Prometo ser o ombro quando você precisar desabafar sobre sua irmã que anda falando mal de você pra sua mãe, ou da colega do trabalho que quer te passar a perna. Prometo ser o seu "maior amigo, melhor amor". Prometo ser o braço que vai te sustentar e proteger de cair quando você tropeçar na rua. Prometo te dar um beijo sempre ao acordar e dizer que você está linda, mesmo se estiver despenteada e com os olhos sujos. Prometo deixar você mudar meu visual, simplesmente pra atacar de estilista e me usar como cobaia. Prometo te acompanhar na festa de aniversário da sua amiga, mesmo que me sinta um peixe fora d'água no meio de tanta gente desconhecida. Prometo esperar pacientemente quando você entrar só pra dar uma olhada no sapato da promoção da vitrine e demorar 45 minutos experimentando todos os modelos da loja. Prometo não deixar a tampa do vaso aberta nem a toalha molhada em cima da mesa, e nem os sapatos espalhados pela casa. Prometo reparar quando você cortar as pontinhas do cabelo ou quando fizer as unhas na manicure. Pelo menos vou tentar... Prometo buscar o pão, dar banho no cachorro, abrir a porta do carro pra você sair e segurar sua mão na rua. Prometo te ligar na hora do almoço e mandar mensagem no WhatsApp durante o dia apenas pra dizer que te amo. Prometo acariciar seu cabelo e beijar seu rosto carinhosamente, quando você se deitar sobre meu ombro pra ver a novela. Prometo não reclamar quando sua amiga chata vier te visitar. Prometo não falar mal da sua mãe - não na sua frente.
Na verdade, esqueça tudo isso. Não vou prometer nada. Tanto porque certas coisas eu sei que não vou conseguir cumprir, mesmo. Vou prometer apenas uma coisa: te amar do jeito que você é, com sua personalidade e sua "bagagem". Cumprindo essa promessa, todo o resto vai acontecer como consequência.
Se você quiser alguém pra ser só seu é só não se esquecer: estarei aqui.
Amor em Tempos de WhatsApp
Sim, não tenho a menor dúvida de que Deus criou a comunicação para melhorar e fortalecer os relacionamentos humanos, nos permitindo manter contato com aqueles que nos fazem bem. O diabo, o satanás, o coisa-ruim, para tentar estragar tudo, criou o WhatsApp.
Ela: mô, pciso falar c vc
Ele: pd flr, amr
Ela: n dá + pra gente continuar juntos
Ele: !!!
Ela: Depois falo mlhr, mas acabou dskupa
Ele: posso saber pq?
Ela: acho que sou eu, slá, mas não te quero mais.
Ele: tá bom, fazer o que
Ela: !!!
Ele: qfoi?
Ela: é só isso que vc tem a dizer?
Ele: pq, o que mais eu deveria dizer?
Ela: Renato, to falando que não te quero mais e vc fala tá bom? vc vai concordar assim, de boa?
Ele: bom, então vamos lá. Letícia, lembra de quando começamos a namorar, há mais ou menos um ano, e eu te disse que eu era diferente da maioria exatamente por não correr atrás? Eu te falei que não faço o tipo que se rasteja pela atenção de ninguém. Até o momento em que você me quiser, estarei aqui pronto para te dedicar todo o meu amor. Quando você não quiser mais, irei entender e agradecer pelo momento em que você me permitiu estar ao seu lado. Bom, esse momento chegou. Você disse que não me quer mais. O que você quer que eu faça? Brigue, discuta, vá até a sua casa com flores e chocolates e te implore um amor que você não tem mais? Quer que eu te peça mais uma chance, até que você fique comigo por pena de mim e de meu sofrimento piegas? Não, não vou fazer isso, Letícia. Não foi o meu amor que acabou, foi o seu. O meu continua intacto. Se você não me quer mais, não tenho o porque implorar que você continue comigo. Sim, vou sofrer muito. Mas vou sofrer calado. Aqui comigo, na minha cama, que é lugar quente. Durante o dia vou vestir a máscara de vida social e seguir em frente. Repito: meu amor continua o mesmo. Caso o seu renasça de novo, estarei aqui. Enquanto isso, seguirei em frente. Tchau!
Ela: contato bloqueado
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