"O Dia Em Que Conheci a Erica", ou Minha Experiência Com o Tantra

Érica, terapeuta tântrica






São 19:00. Me sinto aliviado por conseguir chegar no horário marcado, mesmo com o trânsito carregado do fim de tarde de Moema, zona sul de São Paulo. Anuncio na recepção o número do apartamento e, depois de alguns minutos, sou autorizado a subir. Ao sair do elevador, não enxergo quase nada no corredor escuro, que leva uns 3 segundos para identificar minha presença e acender as luzes. Saio procurando porta por porta, mais pelo constrangimento de encontrar alguém no corredor e imaginar que aquela pessoa iria saber o que eu estava fazendo ali. Encontro a porta certa e toco a campainha. Ouço passos dentro do apartamento. Quando a porta é aberta, encontro Érica Aguiar, modelo e terapeuta de 22 anos que naquela próxima uma hora e meia será quem irá me conduzir em minha primeira experiencia com o Tantra. 

Para entendimento do que vou descrever a seguir, é importante saber de fato o que é o Tantra, ou a massagem tântrica, até pra desfazer alguns tabus que ainda o cercam. Sim, o Tantra está totalmente relacionado com sexo. Mas muito mais do que o contexto sexual, o Tantra envolve um conjunto de ensinamentos orientais que tem, a grosso modo, o conceito de liberdade individual como foco. O indivíduo é livre para ser o que quiser ser, da forma como se sentir melhor, em qualquer área da sua vida, inclusive a sexual, e o Tantra é um caminho que conduz a essa liberdade interior. No contexto sexual, o Tantra prega a união das energias sexuais como o ponto alto da liberdade humana, momento em que a pessoa está completamente desconectada do mundo externo e concentrada apenas em sua própria humanidade, sua interioridade. O momento do orgasmo, assim, passa a ser algo quase sagrado, já que é o ápice do encontro do homem consigo mesmo, com seus desejos mais profundos, e a relação sexual deixa de ser algo apenas erótico para ser o maior momento de interação humana, o ponto em que ambos deixam de serem dois individuais para serem um único ser conectados pela energia orgástica.

OK, o discurso é bonito, mas não o suficiente para aliviar meu nervosismo, que àquela altura era visível.

Nervosismo, inclusive, que se manifestava em vários aspectos: a expectativa de não fazer ideia do que iria acontecer de fato nos minutos seguintes, a confusão em minha cabeça sobre o que era, na prática o Tantra. Vou transar? Não vai ter sexo? Ela é uma garota de programa? Massagista? Sei lá o que é isso aqui. Vim porque a proposta era interessante, mas não sei o que de fato me espera. Mas outra coisa me deixou também bastante ansioso.

A beleza da terapeuta.

A Érica não é só bonita. É incrivelmente linda! Talvez tenha menos de 1,60 e, como estava de chinelos, imaginei que ela não tinha o menor problema com o próprio tamanho. Os cabelos pretos lisos e longos, o sorriso farto que exibem dentes brancos como a neve e as curvas generosas. Ah, as curvas do corpo dessa menina. Uma perfeita harmonia que mais parece o trabalho final do plano de um Grande Arquiteto. Os seios fartos e a bunda grande e empinada dela parecem desenhados, totalmente perceptíveis no conjuntinho branco parecido com um pijama curtíssimo e transparente, que não escondem nada da lingerie rosa. Provavelmente ela seria tema de uma música de Vinícius de Moraes. Um espetáculo de beleza como se vê pouco por aí. Uma sensualidade que parece exalar pelos poros, e  Resumindo: ela é muito, muito gostosa!

A atração é inevitável!





Saliento que percebi tudo isso quando ainda estava na porta do apartamento, do lado de fora.

Ela me recebe com um beijo no rosto muito próximo à boca. Talvez por já estar acostumada às reações infantis dos homens que atende, com certeza ela percebe meu nervosismo e exibe um sorriso doce ao me oferecer água, que aceito numa tentativa de me acalmar.

Aceitei o copo de água, mas foi uma péssima ideia!

O misto de nervosismo e vontade de agarrar aquela garota me deixaram numa situação quase constrangedora. Eu tremia tanto que não conseguia segurar o copo, que quase caiu da minha mão. Ela ri e puxa assunto, conversando algo aleatório. Na sequência, e de forma muito doce, ela me explica como funciona o Tantra, os conceitos que citei acima, e me oferece uma toalha para tomar um banho antes da sessão. Após o banho, deixo minha roupa no banheiro e saio apenas com a toalha envolta na cintura e entro no quarto onde a sessão vai acontecer.

O quarto é pequeno, quase sem móveis. Apenas uma cama de casal, um guarda-roupa e uma mesa. A luz é baixa e no notebook toca alguma canção indiana que mais parece um mantra. Ela me pede que tire a toalha e me deite com a barriga pra baixo enquanto ela vai se preparar. Olha para trás na curiosidade de descobrir o que ela estava fazendo. Ela já havia tirado o conjuntinho e estava apenas de sutiã e calcinha. Fazia uns movimentos que mais pareciam preces, com as mãos juntas, olhos fechados, cabeça virada para cima. Em seguida ela volta; se senta sobre minhas pernas e me pede para relaxar. 

A sessão vai começar. 

Ela começa com movimentos sobre minhas costas, movimentos leves com a ponta dos dedos que acabam por me fazer cócegas. Os movimentos se repetem várias vezes, subindo e descendo pelas costa, seguidos de sopros que me causam fortes espasmos - na verdade o que sinto são cócegas, muitas cócegas! Me assusto no começo mas ela, de forma muito doce, se aproxima e, quase no meu ouvido, me diz para acalmar e me entregar. Os movimentos leves dão lugar à um toque mais firme. A mão dela é macia, muito macia. Passa as mãos pelas minhas costas e no meu ombro, o que até aquele momento era uma massagem comum como qualquer outra. Gasta uns cinco minutos nesses movimentos.

A coisa começou a mudar depois disso.

Ela então me pede para virar para cima, e após outro ritual parecido com a prece de antes do início, retoma a massagem, com movimentos novamente leves sobre meus ombros, peito e barriga. Desce pelas pernas e sobe novamente até que chega ao lingam, onde ocorre o ponto alto da massagem tântrica. 

Sim, "lingam" é o pênis. 

No começo parece uma simples masturbação, com as mãos dela no meu pênis puxando para cima e para baixo. Sinto tesão. Tenho vontade de beijar a boca dela, porém ela não olha nos meus olhos, olha apenas para o pênis, mas como se estivesse em algum transe. Ela inicia então um mix de movimentos intensos, doces e ao mesmo tempo precisos sobre a próstata e a base do pênis, que vão se intensificando. Nesse ponto sinto uma sensação confusa de desejo sexual e leveza, que vai ficando cada vez mais intensa. E mais intensa. As coisas começam a ficar estranhas para mim. Nunca senti aquela sensação antes. Sinto uma onda de calor tomar conta do meu corpo. A respiração fica mais intensa. O prazer aumenta. Quando me dou conta estou em um estado de quase êxtase, como numa transcendência, de tanto prazer. A sensação é a de que estou tendo um orgasmo, com contrações em todo o corpo, mas sem ejaculação, o tal "orgasmo seco" que o Tantra promete. A vontade é de gritar de prazer, mas consigo me conter. De repente sinto uma vontade intensa de tocar a terapeuta. Mais do que tocar. Sinto vontade de fazer sexo com ela. Uma vontade quase incontrolável. Começo a passar a mão nos braços dela, e ela sorri, correspondendo. Me levanto um pouco e coloco a mão nos seios dela, por cima do sutiã. As mãos descem pelo corpo dela e passo a mão na bunda dela.  Coloco as mãos nas coxas dela e tento levar a mão direita para dentro da calcinha dela. Ela calmamente acaricia meu braço e pede que eu relaxe. Me deito novamente, mas não tinha como relaxar. Eu queria transar com ela. Sinto um desejo descomunal por ela. Tesão. Muito tesão. Mas um desejo diferente do que senti quando a vi na porta. Mais do que o tesão comum de um cara que está na cama com uma mulher bonita. Sinto uma ligação quase espiritual com ela, uma vontade inexplicável de compartilhar com ela toda aquela sensação maravilhosa que estou sentindo ali no momento. É como se ali o sexo fosse algo sagrado, o clímax de um momento de bem estar supremo entre duas pessoas ligadas por uma energia maior. 

Mas não, não houve relação sexual. 

Ela continua fazendo movimentos em meu pênis, e pouco depois tenho um novo orgasmo, mas agora o orgasmo comum. Parece que entrei em transe de tanto prazer. A visão escurece rapidamente. Entro num estado de relaxamento como nunca senti na vida. Sinto sono. Ela se levanta para se limpar. Volta com lenços umedecidos e me limpa calmamente, enquanto conversa algo que nem lembro bem o que, já que estava relaxado de uma forma como nunca havia ficado antes. 

Me levanto para um novo banho. Após, conversamos ainda alguma coisa sobre a vida pessoal dela - vale destacar a simpatia dela que cativa até os mais incrédulos - e logo depois vou embora. A sessão encerra da melhor forma possível. Consegui vivenciar a experiência tântrica em sua plenitude.

Se recomendo? Sim, com certeza. O Tantra é mais do que sexo, é um reencontro consigo mesmo. Muito mais do que uma massagem relaxante, é uma sessão de descobertas. Vale a pena!

O Metrô




17:00. Desliga o computador, aguarda o leve sinal sonoro do Windows avisando que o programa está definitivamente encerrado. Pega sua bolsa, guarda nela o livro que deixou o dia todo em cima da mesa e sai da sala, rumo à registradora eletrônica de ponto, para ali encerrar oficialmente mais um dia de trabalho. Cumprimenta alguns conhecidos que encontra por ali, jogando conversa fora enquanto esperam algo. Passa seu crachá, guarda-o na bolsa e sai dos domínios da empresa, rumo ao elevador que o levaria do 15° andar ao térreo, para a luz do sol. Corredor vazio. Ótimo, não tinha a intenção de conversar. Sua cota de assuntos triviais para quebrar gelo já se encerrara há algumas horas, e tudo o que queria naquele momento era o silêncio libertador do fim do dia, permitido apenas àqueles que sabem que o dia seguinte será religiosamente igual ao anterior, e assim sucessivamente, até que o próximo fim de semana venha com a carta de alforria que dá a falsa sensação de liberdade que a vida pessoal nos faz acreditar termos. 

Entra no elevador, que também está vazio. E vazio permanece até o térreo, de onde sai sem cumprimentar ninguém em direção à porta. Ainda de dentro da recepção pode ver a rua, agitada como sempre. Sai pela porta que o recebe todos os dias pela manhã, e logo de cara esbarra com um universitário que passa distraído ouvindo sua música no fone de ouvido. Educadamente o rapaz pede desculpas e pergunta se o machucou. Apenas agradece e diz para não se preocupar-se, pois estava bem. Queria ter perguntado ao jovem que música ouvia com tanta concentração que o fez desligar-se do mundo externo, mas pensou que o rapaz poderia entender sua pergunta como uma repreensão pelo esbarrão, e deixou como estava. Mas ficou curioso. Queria saber apenas qual era a canção que tinha esse poder de desligar do mundo qualquer pessoa mentalmente ativa, para escuta-la e fazer dela seu hino. 

Segue pela rua, enquanto observa os bares já cheios de pessoas aparentemente alegres, que bebem enquanto conversam coisas sem sentido. Chega à estação de metrô onde, assim como em todos os outros dias, embarcaria sentido seu bairro, comum como qualquer outro. Conhece bem aquele espaço: uma entrada pequena sem qualquer glamour, de arquitetura básica, sem qualquer decoração, com uma porta quadrada simples, escadarias de cimento que levam às bilheterias e, ao fundo, as catracas que dão acesso à plataforma onde tomaria seu vagão normalmente. 

Desce as escadas sem olhar para frente para evitar qualquer contato visual com qualquer pessoa, evitando assim o risco de encontrar conhecidos com quem teria de trocar novos papos furados, o que absolutamente não queria naquele momento. Se dirige à bilheteria e pega a fila, esperando sua vez para comprar o bilhete de volta. Sempre pensava como era estranho o fato de um pedaço de papel que nem sabia dizer de qual tipo seria era seu passaporte a um outro ambiente, aquele a qual realmente as pessoas almejavam quando ali entravam. Sim, pois não deve haver pessoa que entre numa estação de metrô com a única finalidade de passar um tempo ali, observando o movimento. Não em plena consciência, talvez. Todos os que adentram uma estação querem apenas esfregar seus traseiros numa catraca fria de metal e descer à plataforma, para embarcar em qualquer linha de metrô que lhes dê acesso ao seu destino. E era isso que ele queria: chegar ao seu destino. Não tinha porque perder tempo com coisas supérfluas naquele momento. Aliás, perder tempo era uma das coisas que mais evitava fazer. Não que fosse atarefado, mas gostava de parecer ser. Assim parecia ser mais respeitado. Gostava de andar depressa como todos os outros. Não que tivesse pressa, mas assim pareceria importante, como os demais gostavam de parecer serem. 

Perdido em seus pensamentos nem observou quando chegou sua vez de ser atendido por uma bela moça de olhos claros e cabelos negros que o olhava atentamente, esperando que fizesse seu pedido. Sua cabeça pensante se concentrou na jovem, a única que o olhava atentamente há dias. Não pode deixar de observar a sobrancelha volumosa combinando com o cabelo escuro e o sinal preto no canto esquerdo da boca, que contrastava com a pele tao clara. Concentrou-se na boca vermelha e volumosa da jovem, e viu quando seus lábios se moveram e pode ver seus dentes incisivos grandes, maiores que os demais, o que, combinado com a pinta preta no canto da boca, dava à jovem uma aura ao mesmo tempo infantil e maliciosa

"Posso ajudar?", disse friamente a moça, interrompendo completamente sua análise da personalidade física da garota, que agora parecia perder todo o encanto, já que havia sido chamado ao mundo real quando a moça o fez lembrar do motivo pelo qual estava ali: comprar um bilhete de metrô, e nada mais. "Um unitário, por favor", respondeu sem olhar nos olhos da pobre jovem, que recebeu de suas mãos o dinheiro e entregou logo em seguida o bilhete, já olhando para o próximo da fila para não perder tempo. 

Passou pela catraca gelada e desceu as escadas rolantes sentido a plataforma, que já estava lotada de pessoas desconhecidas e comuns, que assim como ele iam a algum lugar. Para onde? Cada um sabia, ou devia saber, onde ia. Cada um ali, com sua vida, sua história, seu passado e planos de futuro devia saber o que queria ali realmente: ir à faculdade, ver os pais, chegar em casa, namorar. Ele iria apenas para casa, para voltar a ser o solitário de sempre e aguardar em frente a TV sua hora de dormir para, no dia seguinte, iniciar tudo novamente. 

Desceu as escadas e posicionou-se onde pode, para ter ao mesmo tempo a visão da vinda do vagão e poder observar os que desciam a escada. Não que esperasse alguém, mas gostava de observar os rostos dos desconhecidos. Disfarçava, claro, desde a vez em que fora abordado por um dos seguranças do metrô, que suspeitou de seus movimentos suspeitos ao pé da escada, olhando um por um como quem procurasse alguém. Continuava a observar as pessoas, mas de canto de olho, como se não olhasse para lado nenhum. Foi assim, observando aquela multidão de caras desconhecidas, que viu o rosto dela. Apertou os olhos para ver de novo. Tentou lembrar se havia bebido, mas não, pois estava voltando do trabalho. Olhou novamente para ter a certeza de não a estar confundindo com outra comum desconhecida. Mas não estava. Realmente era ela quem estava ali. Mas como assim? Por que exatamente naquele lugar e naquele momento? Há quantos anos não a via? Fez as contas rapidamente e chegou a dez anos. Sim, haviam se passado dez anos desde a última vez em que a vira. Ainda tinha nítida a lembrança daquele momento, em que ele sempre julgara ser a última vez em que a veria, quando ela virara as costas e seguira pela rua, se perdendo entre as pessoas após dizer-lhe que seria melhor para ambos se cada um seguisse sua vida. Aquele momento fora um divisor de águas em sua vida. Ao perdê-la de vista na rua, perdera também seu chão, suas colunas, suas paredes. Desde aquele dia sentia-se em solo lunar, flutuando sem saber para onde ir e nem como chegar a qualquer lugar. Ela levara junto consigo a força da gravidade psicológica que mantém nossos pés no chão e nossa mente em foco. Depois de três anos compartilhando momentos bons e ruins, experiências boas e outras desastrosas, momentos constrangedores e outros bastante acolhedores, brigas e sexo, aquela conversa numa calçada encerrara uma parte de sua vida, a mais produtiva, a mais significativa, e sem saber ela o havia empurrado ao um fosso de ostracismo e inércia, a qual ele fazia questão de honrar todos os dias com sua vida oca e sem sentido. 

Ao vê-la ali, descendo as mesmas escadas por onde ele havia acabado de passar, sentiu seus olhos virarem e seu estômago embrulhar. Não necessariamente embrulhar. Só naquele momento entendeu o que a expressão "borboletas no estômago" queria dizer. Não sabia como reagir. Só sabia que não a deixaria vê-lo. Bom, naquela imensidão de pessoas, seria realmente quase impossível que ela o visse ali, até porque provavelmente ele era a última coisa que passava na cabela dela. Com essa certeza em mente sentiu-se mais a vontade para observá-la, e perceber que o tempo não a havia mudado em nada. Seu rosto ainda tinha as formas arredondadas que ele tanto acariciara, e seus cabelos pretos ainda pareciam tão bem cuidados como antes. Estava séria, mas não pode deixar de lembrar de seu sorriso, com dentes brancos e bem alinhados, apesar de pequenos, o que lhe dava um sorriso quase infantil. Será que ela ainda formava covinhas no rosto quando sorria? Seu corpo ainda estava em forma. A camisa branca que usava era pouco para esconder o formato do corpo que ele tanto desejara e possuíra quando estavam juntos. Os seios pareciam ainda do mesmo tamanho, pequenos e firmes, nos quais ele adorava pousar a cabeça para assistir filmes que ele não entendia nas tardes de domingo, enquanto comiam pipoca com gosto forte de manteiga. A calça preta social também deixava em evidência os quadris nos quais ele tantas vezes colocara as mãos para agarrá-la, nessas demonstrações públicas de posse que os casais apaixonados adoram fazer. Ela ainda continuava linda e sexy como fora há dez anos atrás, e se lembrou de quantas vezes sentiu ciúmes ao pensar que aquele corpo maravilhoso, que lhe pertencia, andava sozinho no dia a dia, à mercê de olhares tarados sedentos por sexo fácil. Lembrou de quantas vezes lhe aconselhara a tomar cuidado com as ruas e com o metrô - que ironia! - onde sempre haviam maníacos que se aproveitavam do calor da multidão para praticar suas obscenidades em mulheres indefesas. Lembrou também que ela ria a cada conselho que dirigia à ela, talvez o considerando bobo por pensar que ela fosse uma simples jovem indefesa, e não uma mulher cheia de atitude e que sabia muito bem se defender sozinha, como sempre fora. 

A cada passo ela se aproximava mais da plataforma, e de onde estava, o encontro seria inevitável. Por isso saiu de onde estava e atropelou meio mundo para procurar um lugar de onde ela não pudesse vê-lo. Saiu andando, ora pedindo licença, ora esbarrando e empurrando, e ao mesmo tempo olhava para trás para não perdê-la de vista. Não queria que ela o visse, mas não queria perdê-la mais uma vez entre a multidão. Viu quando ela completou seu percurso na escada rolante e parou, como se procurasse alguém. De onde estava seria facilmente observado, então tratou de continuar andando. Seguiu em frente, mas olhando para trás para não perdê-la de vista. Viu quando ela olhou em sua direção e começou a andar. Pronto, ela me viu, pensou. Desistiu de sumir e parou. Um homem ao seu lado protestou por estar na frente de seu campo de visão para o trilho, de onde veria quando o metrô chegasse, e resolveu voltar um pouco para trás. Criar tumulto ali naquele momento seria a pior forma de se esconder. Ela continuava vindo em sua direção e agora sorria. Ele fez como se não tivesse visto e apenas esperou que ela se aproximasse. Olhou para frente para ajudar no disfarce de homem desatento, e quando olhou novamente para trás viu que ela havia parado um pouco atrás, cumprimentando um rapaz que ele havia acabado de empurrar enquanto fugia dela. Viu quando ela o beijou na boca e se deixou ser abraçada por ele, aconchegando-se em seu peito e voltando seus olhos para o trilho do metrô, assim como todos os outros. É, ela não o havia visto. Sua simpatia e sorriso - com as covinhas de antes - haviam sido dirigidos para o outro homem com o qual ela estava agora, e com quem parecia feliz e confortável. Ele pensou que eram para ele, mas não. Assim como há dez anos atrás, ele novamente era uma pessoa como qualquer outra para ela, apenas mais um em meio a multidão de rostos desconhecidos. 

Seguiu mais à frente, para não correr o risco de embarcar no mesmo vagão que o casal apaixonado que esperava pelo mesmo destino que ele. Sim, o destino era o mesmo, mas os caminhos eram diferentes. Sentiu raiva de si mesmo por pensar que, assim como ha dez anos atrás, as coisas poderiam ter mudado e que pudesse receber novamente alguma atenção dela. Pensou que devia seguir com a própria vida. Iria mostrar a ela que ele também era competente o suficiente para seguir com a própria vida e, se ela havia encontrado outro homem para amar, ele encontraria uma outra mulher. Lembrou-se da atendente da bilheteria. Pensou em subir lá e, numa atitude completamente maluca, pedir-lhe em casamento sem nem saber ao menos o nome da garota. Pensou que poderia faze-la desistir da vida de atendente de bilheteria e levá-la a conhecer um outro mundo. Mas antes de qualquer coisa, queria ter uma outra mulher para passar por perto do casal que ainda estava na plataforma. Esbarraria nela de propósito com sua nova noiva que acabara de conhecer e usaria uma carga extra de conversas triviais, coisas do tipo "que coincidência", "quanto tempo", "nossa, você está tão linda quanto antes", "sim continuo no mesmo emprego", apenas para que ela visse que, se ela tinha seguido em frente, ele também. Mas o metrô enfim veio e jogou por terra todo o seu plano de vingança afetiva contra ela, que sequer sabia que ele estava ali, aliás que talvez sequer pensasse nele naquele momento. 

Entrou no metrô e encostou-se como pode em uma barra de ferro já cheia de marcas de outras mãos que ali já haviam se segurando antes com a certeza de que aquela composição, aqueles vagões e aquela estação eram a prova de seu fracasso como pessoa. Aquele ambiente era a prova de que ele havia parado no tempo e que nem havia percebido que dez anos haviam se passado desde o dia em que seu mundo havia caído. Talvez não fosse a primeira vez que ela tivesse usado aquela estação. Talvez passasse por ali todo dia. Talvez já tivessem se encontrado antes e ele nem a tivesse percebido. Talvez ela já o tenha visto em outras vezes e feito a mesma coisa que ele acabara de fazer. Mas isso não importava mais. Só ali se deu conta de que até aquele momento ainda continuava procurando um motivo para viver, um chão para pisar, um corrimão para segurar. Só ali percebeu que havia se transformado num ser amorfo, sem qualquer perspectiva na vida. 

E por isso decidiu: nunca mais entraria naquela estação de metrô.

Maria




Houve um tempo em que Maria havia desprezado as pessoas que queriam sua amizade.

Em nome de certos princípios morais que ela nem sabia ao certo se valiam a pena ser seguidos, Maria desprezou as pessoas. Preferia viver de acordo com uma certa crença estranha de que todas as pessoas eram inferiores a ela. Sim, Maria era arrogante. Para ela, todos eram seres preguiçosos que queriam apenas as coisas de um jeito fácil, enquanto ela sim dava realmente o devido valor à vida. Ela preferiu não se misturar. Enquanto todos conversavam, Maria reprimia as risadas e condenava toda aquela alegria. "Enquanto vocês conversam e se distraem o mundo está girando, e a vida está passando", dizia ela em tom de reprovação. Aos poucos, as pessoas passaram a se afastar de Maria. Diziam que qualquer pessoa no mundo conseguia ser mais agradável do que ela. E Maria não ligava, pois achava melhor não ter por perto gente que queria apenas "empurrar o mundo com a barriga".

Mas as pessoas se foram. Cada um dos antigos conhecidos tomaram seu rumo na vida. Os rapazes que viviam olhando os seios fartos de Maria se cansaram e foram namorar outras garotas. As amigas que tentavam sempre comentar o que tinham feito na noite anterior com o namorado foram embora. Os amigos foram trabalhar. A vida se foi. E Maria ficou.

Maria criticou tanto a infantilidade de seus amigos que esqueceu que dentro dela havia uma criança. Defendeu tanto o trabalho que se esqueceu que trabalhar é apenas a consequência, não a causa. Defendeu tanto a maturidade que se tornou uma pessoa rígida e fria. Maria queria tanto não perder tempo que não o aproveitou em nada. Defendeu tanto a vida que se esqueceu de viver.

Agora Maria descobriu que rir com amigos não é apenas coisa de gente preguiçosa e desocupada. Descobriu que uma noite com os amigos numa mesa de bar pode ser mais sagrada que qualquer culto religioso. Agora Maria sabe da importância de se viver em comunidade. Mas só agora, que Maria se tornou uma pessoa solitária. Maria sabe na pele o significado da palavra tédio. Sem querer, Maria descobriu o quanto a vida pode ser sem graça quando você não tem pessoas por perto. Descobriu como é ruim você não ter a quem ligar, a quem convidar para ir no cinema, a quem desejar feliz aniversário, a quem parabenizar, a quem contar suas vitórias. Maria descobriu enfim que inferno não é um lugar onde habitam demônios. Inferno é a ausência de pessoas.

Maria descobriu o significado da palavra solidão.

Sobreviver em Tempos de Guerra Interna


Todos nós temos nosso tempo de guerra. Não a guerra propriamente dita, com armas, mortes, prisões, tumulto, mas uma guerra silenciosa, imperceptível aos olhos dos outros, que acontece no maior campo de batalha do mundo: nosso psicológico. Todos nós travamos batalhas internas intensas, sangrentas mas sem sangue, contra nosso maior inimigo: nós mesmos. Ou talvez não. Nosso maior inimigo não somos nós mesmos. Nosso psicológico, sim, é nosso maior inimigo, às vezes mortal. O psiquê, nosso interior, é um campo de batalha que pode ser comparado aos maiores palcos de guerra já vistos na história da humanidade. E arriscaria dizer que nossas guerras internas são ainda mais crueis do que as grandes guerras mundiais, pois se essas chamam a atenção do mundo, que faz de um tudo para encerrá-las, nossas batalhas psicológicas são imperceptíveis aos outros, que nem sempre as entendem quando resolvemos falar o que se passa conosco. Todos nós alternamos na vida momentos de paz e momentos de guerra E nessa gangorra psicológica todos nós temos momentos em que parece que a solidão resolve se instalar de vez em nossa vida e nos acompanhar - olhe o paradoxo! - por onde formos. Tempos em que vemos pessoas nos abandonarem, amigos faltarem, amores sumirem. Tempos em que falta uma companhia para ir a um cinema, sequer. Tempos em que vemos todos terem seus motivos para recusarem qualquer convite nosso, e nos acostumamos tanto a isso que paramos de convidar. Tempos em que a única coisa que lhe resta é você mesmo, sozinho, e esse maldito coração arrasado por uma depressão horrível que insistem em martelar dia e noite avisando que você é um fracassado, inútil, derrotado e um ninguém, imprestável que não serve para nada à sociedade e que não faria a menor falta se sumisse. Aliás, são em tempos assim que sumir se torna uma opção bastante plausível. Mas sumir definitivamente. Encerrar de vez seu campo de batalha e embarcar rumo ao desconhecido no pós-vida. Vai que o Paraíso com ruas de ouro e cristal do Apocalipse realmente existe, pelo menos as coisas seriam um pouco melhores! Tempos em que tudo parece seguir caminho contrário ao seu, em que vê seus sonhos irem ralo abaixo, em que nada dá certo na vida, em que parece correr em cima de uma esteira: por mais que corra e canse, não sai do lugar. 

E o que fazer em momentos assim? Como encerrar essa guerra? Como chegar ao tratado de paz que encerra com a batalha mais longa da história da humanidade, a que se passa dentro de nós mesmos?

Não sei. Se soubesse, já teria encerrado a minha faz tempo! Mas sei o que fazer para sobreviver em tempos de guerra. Quando vivemos em guerra conosco, é imprescindível desenvolver recursos para se manter íntegro, com o coração inteiro, mesmo em meio ao turbilhão de pensamentos que rodeiam nossa cabeça todo dia. Todo o cuidado é pouco para que não "percamos a alma". 

Antes de tudo, entenda que nada nesse mundo é definitivo. Nem sua guerra interna é. Sim, por mais que não pareça, ela irá acabar em algum momento. Nossa vida é feita de fases, e uma fase ruim sempre acaba. Em algum momento você enfrentará uma fase boa, em que tudo dá certo, em que você tem alguém para compartilhar as coisas boas que você vive. Se você ainda não está nessa fase, tenha certeza de que ela virá em algum momento. 

Mesmo em tempos de guerra, há dias em que você se sente bem. Há um, dois dias na semana em que você acorda bem, feliz consigo mesmo e disposto a ser o melhor do mundo. Agarre-se nesses dias. Foque no dia em que você está bem, feliz, rindo com todos e feliz com a vida que tem. Quando o dia ruim vier, você terá uma lembrança mais forte do dia anterior bom e terá mais facilidade em focar num futuro mais tranquilo. 

Entenda que você não é o que seu psicológico lhe diz ser quando está mal. Nossa tendência é nos desvalorizarmos e nos sentirmos um lixo quando estamos nos nossos tempos de guerra. Mas saiba que você não é nem tão bom como acha ser quando está bem, e nem tão mau quanto pensa ser nos dias maus. Você é literalmente um "meio termo". Mas nos dias maus foque no seu lado bom. Lembre que há pessoas que, por mais que não pareça, gostam de falar com você e sentem sua falta. Mais: percebem quando você não está legal e se preocupam com isso. 

Dê espaço para as pessoas participarem da sua vida. Sim, há pessoas interessadas em conhecer melhor o que se passa com você, ou pelo menos conversar sobre sua rotina. Fale de você, o que você gosta, sua preferência musical, de que tipo de livros gosta, enfim, essas trivialidades poderosas para engatar uma conversa que pode se estender por horas. 

Afaste a amargura. Quem nunca se sentiu o injustiçado do mundo? Quem aí nunca pensou que o mundo conspira contra você e que todas as outras pessoas não passam de aproveitadores que usam de barganhas com a vida para conseguirem o que querem, enquanto você fica para trás por não se dobrar a tudo isso? Sim, isso é amargura. E amargura é mato, meu amigo. Cresce sem você ver e só percebe quando está alto, no meio do seu caminho impedindo sua passagem. Afaste pensamentos amargurados. As pessoas não são todas iguais e nem sempre quem se aproxima de você quer se aproveitar de algo e depois ir embora. Existem sim pessoas sinceras, por mais difícil que seja encontrá-las. 

Enfim, a única coisa confortante numa guerra é saber que num momento ela acaba, seja a Guerra Fria, a Segunda Guerra Mundial (bom, a das duas Coreias ainda não acabou, mas... Deixa pra lá!) ou a guerra que você trava o dia inteiro dentro de você. Tente se manter firme. Ouça músicas que gosta. Procure uma terapia com uma psicóloga de sua confiança e se abra.

E viva bem. 

Pensar Fora da Caixa



Cada um de nós vivemos em um mundo, um universo pessoal, um "infinito particular", como bem diz a Marisa Monte, e de quem pego emprestado essa expressão sempre que abordo esse tema. Para alguns, seu infinito particular são os pais, colegas de escola, vizinhos e amigos de infância. Para outros pode ser o trabalho, ou apenas a esposa, ou o marido e os filhos, ou o grupo religioso, ou qualquer outra coisa ou pessoa com a qual se tenha afinidade, se conviva diariamente e se tenha laços fortes. Todos nós temos nosso mundo, nossa caixa, nosso habitat onde crescemos, fincamos raízes e onde vivemos, e onde muitas vezes construímos nosso futuro.

Por melhor que seja a vida dentro desse mundo, algumas pessoas sabem que pensar fora da caixa pode ser algo muito gratificante. Ver por cima dos muros, conhecer gente além das nossas fronteiras internas, experimentar culturas diferentes, situações nunca antes pensadas. Essas são coisas que fazem bem, pois nos fazem enxergar que existem mundos diferentes dos nossos, e que às vezes há coisas boas em outras formas de ver a vida. Como muito bem disse a Pitty em sua musica Anacrônico, existe um "outro ciclo em diferentes fases vivendo de outra forma, com outros interesses, outras ambições mais fortes". Tanto porque ninguém é a mesma pessoa desde sempre. Todos nós mudamos nossa forma de pensar conforme o passar dos anos. Lembre quem era você há dez anos atrás. Muita coisa mudou em sua cabeça, não? Sabe por que? O mundo mudou nesse tempo. As informações mudaram, o padrão cultural mudou, as pessoas mudaram. Ou seja, conhecer outras formas de ver a vida é algo muito positivo para todos nós. Uma experiência que ninguém poderia deixar de tentar viver.

Mas nem sempre as pessoas pensam assim. Talvez pelo medo do desconhecido, pela insegurança de não saber o que vai encontrar na busca pelo diferente, essas pessoas se fecham em seus mundos e preferem evitar contato próximo com tudo que venha de fora. São pessoas que consideram bastante cômoda e feliz a vida dentro do próprio mundo em que vivem e preferem não buscar nada que não faça parte de seu infinito particular. Essas pessoas se bastam dentro de seus mundos e não veem qualquer necessidade de contato externo. Sendo assim essas pessoas irão repelir qualquer tentativa externa de aproximação, seja pelo desprezo, seja pela indiferença ou pela rejeição direta. Essas são pessoas que são sim, felizes e que tem sim grande chance de dar certo na vida e obter sucesso. Mas perdem por deixar de conhecer o diferente.

Sim, é importante manter laços, criar vínculos. Lógico que sim. Eu seria um louco e iria contra anos de estudos sociais se dissesse algo diferente disso. Todos nos precisamos de um chão firme, uma terra onde possamos retornar, pessoas confiáveis com quem podemos contar em todo o tempo. Todos nós precisamos do nosso "infinito particular". Ele é saudável e necessário. Mas é um grande erro se fechar nesse mundo. Uma das maiores virtudes humanas é saber que há vida inteligente fora da nossa caixa pessoal, e que muitas vezes, pelo medo do desconhecido, perder grandes oportunidades. Oportunidades para a vida toda.

Antes de se fechar em seu próprio mundo e se anunciar ou sinalizar como autossuficiente, reflita sobre o que você pode perder se deixar de conhecer o mundo externo. Não é abandonar suas raízes e desfazer seu mundo em nome de uma aventura desconhecida. É dar espaço para que outras pessoas e formas de pensar façam parte de seu mundo. Não é sair da caixa, é aumentar o tamanho dela. Como o próprio nome diz, seu "infinito" particular tem sim espaço pra muitas novas experiências.

É só prestar um pouco mais de atenção ao que há em volta. Ou não tão em volta assim, mas em algo ou alguém que tenta a todo custo se aproximar e você, talvez pelo medo do desconhecido, esteja afastando.

Jhenny Cravo e Canela



Para os homens ela é a personificação da utopia da mulher perfeita; é a materialização do apogeu da perfeição feminina que povoa o imaginário comum masculino em qualquer parte do mundo; a prova da existência da beleza completa, daquela aparentemente inatingível que só se vê nas revistas. É ao mesmo tempo menina e mulher. A menina pura e singela que exala inocência e candura, a doce criança que desperta em nós os mais puros e sinceros sentimentos, a menina a quem, tal qual a uma flor nascida em meio a pedras, queremos proteger das maldades de um mundo cruel, cinza e acimentado, que não foi feito para abrigar tão cândida e frágil criatura. Mas é também a mulher adulta, a sensual, o "mulherão", aquela incrivelmente gostosa que desperta nos homens os mais profundos e secretos desejos carnais de prazer e sensualidade; aquela que causa confusão na mente masculina obcecada por sua beleza, que não sabe se a deseja loucamente com todo o prazer sexual que ela inspira ou se lhe presta tributo, como se fosse a deusa maior de uma religião onde a beleza é a atribuição divina predominante. Assim é ela, a nossa verdadeira Anita, a prova de fogo que separa um garoto de um homem. Garotos, perto dela, são só garotos, já dizia a canção. Homens, em contato com ela, são apenas meros espectadores do seu espetáculo natural de perfeição, do show de feminilidade que ela dá inconscientemente apenas sendo ela mesma. É a deusa grega capaz de desestabilizar qualquer Olimpo e provocar guerra entre deuses que a disputam como o grande prêmio a ser conquistado.

Ela desperta os mais variados sentimentos em quem a conhece. Em algumas mulheres provoca inveja, aquele recalque intrínseco ao psicológico feminino que faz com que ela seja nada menos que uma rival a ser desmoralizada; seu poder de atração sobre os homens incomoda suas iguais, que sabem que seriam facilmente derrotadas numa simples comparação com ela; isso desperta a ira, uma ira que muitas vezes toma forma de poder maquiavélico, poder esse que faz com que as que se sentem ameaçadas tentem derrubá-la a todo custo. Nos moralistas desperta raiva, a raiva típica dos que a desejam, mas que por força da imagem de "defensores dos bons costumes" se veem obrigados a conter seu desejo, e por isso usam a repulsa para espantar seus próprios fantasmas. Nos liberais de mente aberta ela trás a alegria de saber que ainda há no mundo pessoas bem resolvidas com o próprio corpo o suficiente para se despir para fotos e ensaios, sem a hipocrisia do "politicamente correto" e sem a mordaça da "moral e os bons costumes".

Ela define perfeitamente o que é ser "gostosa". Seu corpo tem as curvas que Niemeyer tanto homenageou em suas esculturas. Parece ter sido desenhada por encomenda, pelo mais competente designer que, tal qual um desenhista de pedras preciosas, pensou em cada detalhe, cada centímetro de seu corpo, com o objetivo de apresentar o modelo perfeito. Ela representa bem a mulher brasileira: sensual o tempo todo, atraente, até quando não tem a intenção de o ser.  Mas tem a elegância e o charme da mulher europeia, a mulher misteriosa que faz segredo sobre quem é o que que quer. 

Tal qual a Gabriela de Jorge Amado ela chama a atenção e divide opiniões. Causa alvoroço onde passa. É motivo de discussões e debates. Pessoas falam sobre ela, tentam entendê-la, defini-la. Impossível. Ela não se define nem pode ser definida. Sua beleza exuberante chega sempre na frente e faz com que alguns digam que ela é apenas um rosto bonito, mas logo atrás sua simpatia e o carisma calam a boca dos críticos. Ela tem a força e a garra do brasileiro, mas a doçura e simpatia de uma criança. É ao mesmo tempo maliciosa e ingênua. Forte e indefesa. Ela é a definição plena do que se entende por "mulher".


Ela é Jhenny Andrade, a Jhenny, a Gabriela dos tempos atuais.



A Gabriela que não tem vergonha de exibir o próprio corpo sensualmente. Ela não precisa passar pelo milagre dos retoques digitais. Não precisa das milhares de opções das mais caras maquiagens nem do talento dos melhores maquiadores. Ela dispensa qualquer complemento, qualquer "algo a mais" que possa torná-la peça de uma obra de arte. Por que? Oras, ela é a arte. Qualquer coisa além dela é desnecessário. É apenas ela. Jhenny, a nossa Gabriela. A que usa a força colossal da sensualidade para mostrar a fragilidade e singeleza que o seminu expõe. A que, ao tirar a roupa e expor seu corpo em minúsculos trajes para uma sessão de fotografia ou para se exibir para milhões de pessoas num octógono televisionado por emissoras ao redor do mundo, tira também a capa da conveniência social e se expõe de pele limpa, dá a cara a bater, sem se importar com a opinião de terceiros. Sua seminudez expões sua força e fraqueza. É a menina indefesa, que pede proteção e apoio, e a mulher autoconfiante, que não tem medo de nada e vai à luta, custe o que custar. Ali, exposta aos olhos de todos, ela é apenas a Jhenny. Ou, se olharmos por outro ponto de vista, ali ela é "a" Jhenny, a poderosa, a que estala os dedos e tem o mundo aos seus pés. 

Ela é a Gabriela que não se submete à regras impostas por outros. Ainda não nasceu o Nacib capaz de encabrestá-la. Ela entra e sai quando quer. Dispensa e atrai novamente. É cortejada pelos que antes a julgaram. Quem a dispensou agora a chama de volta. Quem a criticou agora a elogia. Quem a desdenhou agora a quer a todo custo. Mas ela não tem custo. Mulheres como ela não se compram. Não se vendem. Ela é o tesouro maior do pirata que vira o mundo atrás de seu objetivo, é o cume do monte do aventureiro, o prêmio do competidor, o cinturão do lutador, o destino final do viajante. Ela é o que todo homem

Assim é ela, nossa Jhenny, a Jhenny Cravo e Canela.

Minha primeira vez num baile funk | Desconstrução #1

Avenue Club, em Pinheiros




Essa não foi a única vez qe fui num baile funk. Vez por outra gosto de ir. Esse é um post que entrou pra série "Desconstrução" do antigo Blog Novas Ideias. Uma garota com quem fiquei algumas vezes organiza todas as sextas uma balada em Pinheiros e resolvi conhecer. Deixei o nome na lista e semana passada fui lá. Cheguei tarde, quase as 2 da manhã, pra não ter de passar pelo constrangimento de ficar sozinho na fila. 

Quando cheguei ouvi o pancadão e pensei que fosse uma das músicas da noite. Tocar funk é comum em qualquer balada de músicas diversas. Mas o funk continuou na segunda música. E na terceira. E cada vez mais as novinhas iam até o chão, sarrando e rebolando. E o DJ não parava mais. A cena seria perfeita para um programa de humor: eu, de camiseta polo preta, óculos e cara de nerd de The Big Bang Theory, estava num baile funk. 

Não sou crítico do funk, pelo contrário. Acho que todos os estilos musicais são válidos e tem seu público, até o funk. O que você vai ler são as impressões de um cara - no caso, eu - que curte rock, com certo conhecimento teórico em música e que, por muito tempo, criticou o funk brasileiro - seja paulista, carioca ou de onde for - com as críticas de sempre: letras ruins, apologia às drogas e ao sexo livre, promiscuidade total, e por aí vai.

O que tinha lá?  Pessoas se divertindo. Apenas isso. Homens bebendo e dançando, meninas de shortinho e blusinha dançando. Gente que bebia, dançava e beijava até cansar. E quando cansava ia pra casa – alguns casais devem ter ido pra outros lugares, mas enfim... A mesma coisa que acontece em qualquer outra balada, festa, arrocha, arrasta-pé, forró e o nome que se queira dar pra pessoas bebendo e dançando. A diferença é que lá tocava funk. Algum crime nisso? 

Ah, mas o funk tem letras pornográficas e... Sim, tem. A maioria, pelo menos. E daí? A maioria das “divas pop” americanas cantam letras impronunciáveis e todo mundo ama. Funk não é pra ser tocado no aniversário de casamento da avó – a não ser que ela peça! Funk é pra curtir na balada, no celular – com fone de ouvido, plmddeus. Precisamos aprender a separar as coisas. Quem quer músicas com letras profundas, que tocam a alma e o coração ouça música gospel, um bom samba antigo, ou qualquer coisa do tipo. Funk é pra divertir, pra dançar, pra beijar, pra transar! Se você é rockeiro, sertanejo e etc, não ouça funk. Simples. Funk é pra novinha que é terrorista. Não curte? Não ouça! Tão óbvio. 

Mas o funk tem envolvimento com o crime, o tráfico... Sim, isso é verdade. Como também é verdade que a política tem envolvimento quase 100% com o crime e nem por isso você deixa de votar. E as vezes ainda vota nos bandidos de sempre. A gente até elege membros de facção pra prefeituras – né, povo de Embu das Artes? Não curtir funk não vai fazer os membros de facções deixarem de se envolver como crime.


E aquelas mulheres vulgares que não se valorizam, se oferecendo pra todo mundo... Aí é outra conversa. A gente vai precisar definir o que é uma mulher “vulgar”. É aquela que usa minissaia, que dança quando tem vontade, que joga a bunda no chão, que sarra quando quer, que beija quando quer, vai pra cama com quem quer? Eu não chamaria isso de vulgaridade. Chamo de liberdade. Ser livre é se comportar da forma como você quiser – e assumir as consequências disso. Quer ser puritana, se vestir de forma “comportada”, ouvir músicas socialmente aceitas? É seu direito. Quer fazer o oposto disso tudo? Também é seu direito. 

Mas o funk faz apologia aberta ao uso de drogas, ao sexo livre... Vem cá, você sabe que o rock nasceu assim, né? O slogan "sexo, drogas e rock'n roll" te diz alguma coisa? Além do mais, não vi ninguém usando nada de "diferente" lá, talvez por ser uma casa fechada e a segurança ser forte – revistaram até a bolsa térmica onde levo meus lanches pro trabalho... E mais uma: baile funk é o único lugar do mundo onde se consome drogas? 

E essas adolescentes caindo no funk no meio da rua, e tals... Isso é outra história. Meninas de 12, 13 anos cantando "quica no meu pau" é responsabilidade dos pais e falta de responsabilidade de adultos que permitem a entrada de adolescentes em festas do tipo. A que eu fui era fechada, bem organizada, apenas para maiores de 18 anos, com conferência de documento na porta. 


Enfim, fui, curti, e voltarei quando der. Entendam que ao defender o funk brasileiro não estou defendendo os "pancadões" de rua que atormentam bairros inteiros nem os bailes dos morros cariocas onde armas circulam livremente. Isso é caso de polícia e como tal deve ser tratado. O que falo aqui é do baile organizado, em casas específicas, com toda a organização. São casos beeeem diferentes! 

O problema não é a música, é o uso que se faz dela, assim como foi com o rap nos anos 90, taxado de "música de bandido" e hoje visto como cult. "Racionais MC's" eram o que havia de pior na minha infância, e hoje são celebrados como artistas que dão voz à realidade das favelas e periferias. Qual o problema do funk, então?

Toda generalização é burra, e isso cabe em qualquer situação, inclusive ao funk. O que vejo em quase todas as críticas ao funk paulistano e carioca é puro, gratuito e simples preconceito.

Seu gosto musical é particular e pessoal, e deve ser respeitado assim. Se gosta, ouça. Não gosta, não ouça. Apenas isso!

E ainda dizem que machismo não existe!





Homem que bebe muito é descolado, aproveita bem a vida. Mulher que bebe muito é vadia. 

Homem que fuma é sexy, com aquele leve clima romântico. Mulher que fuma é vadia. 

Homem que “pega várias” na balada é “fodão”, “pegador”, bem resolvido consigo mesmo e que aproveita seu charme para se dar bem. Mulher que pega vários na balada é vadia. 

Homem que sai com garota de programa é rico e bem relacionado, gosta das melhores companhias e está disposto a pagar por isso. A garota de programa é vadia. 

Homem que trai a esposa quer “algo que está faltando em casa”. Mulher que trai o marido é vadia. 

Homem que já teve várias namoradas tem experiência com as mulheres. Mulher que já teve vários namorados é vadia. 

Homem que mostra o peitoral nu na rua é seguro de si, não tem problemas em exibir o próprio corpo. Mulher que mostre um pouco mais no decote é vadia. 

Homem de bermuda curta é atleta, com certeza deve estar vindo da academia, depois de ter malhado para cuidar do corpo. Mulher de short curto é vadia. 

Homem que dança funk está se divertindo ao som do “batidão”. Mulher que dança funk é vadia. 

Homem que ri alto demais é bem-humorado e espirituoso. Mulher que ri alto demais é vadia. 

Homem que paquera no metrô está aproveitando a oportunidade. Mulher que paquera no metrô é vadia. 

Homem que publica fotos com várias mulheres é esperto, não perde chance. Mulher que publica foto com vários homens é vadia.

Pai solteiro é um homem livre, que trabalha para si mesmo e reserva uma parte do salário para a pensão. Mãe solteira é vadia. 

Homem que tem amizade com mulher é bem resolvido e gosta da opinião feminina. Mulher que tem amizade com homem é vadia. 

Homem que namora mulher mais nova quer viver sua eterna juventude. Mulher que namora homem mais novo é vadia. 

Homem que elogia entre os amigos a bunda ou os seios de alguma mulher aleatória é divertido e sabe apreciar o que é bonito. Mulher que elogia o peito de um homem é vadia. 

Homem que leva mulher para a cama no primeiro encontro é sortudo e se deu bem. Mulher que vai para a cama no primeiro encontro é vadia. 

Homem que tem fotos íntimas nu vazadas na internet é elogiado pelo tamanho do “documento”. Mulher que tem fotos íntimas vazadas na internet é vadia. 

Sexo a três com duas mulheres e um homem é uma experiência incrível. Sexo a três entre uma mulher e dois homens é coisa de vadia. 

Casa de strippers é lugar refinado, para homens de bom gosto. Clube das mulheres é lugar de vadia. 

Homem ginecologista é um profissional respeitado e requisitado. Mulher urologista é vadia. 

Homem que esquece de buscar o filho na escola é um homem ocupado, que tem muitas obrigações durante o dia. Mulher que esquece de buscar o filho na escola é vadia. 

Os fotógrafos da Playboy são profissionais respeitados no mercado pelo trabalho excelente que fazem. As playmates são vadias. 

Homem vaidoso, que frequenta salão e cuida da própria aparência é exigente e de bom gosto. Mulher vaidosa é vadia. 

Homem que trabalha rodeado de mulheres é o “bendito fruto”. Mulher que trabalha rodeada de homens é vadia. 

E ainda dizem que machismo não existe!

O Verdadeiro Reynaldo Gianecchini


O texto abaixo é uma paródia de “O Verdadeiro George Clooney”, trecho do livro Em Algum Lugar do Paraíso, de Luiz Fernando Veríssimo. Sei lá, é bom avisar, né. Vai que alguém leva a sério… 


Longe de mim querer difamar alguém, mas acho que no caso do Reynaldo Gianecchini o que está em jogo é a autoestima do homem brasileiro, os demais que não são Reynaldo Gianechinni. 

Qualquer qualidade que qualquer homem tenha, física ou intelectual, cai por terra quando comparado com Reynaldo Gianechinni. As mulheres não escondem sua adoração por Reynaldo Gianechinni. O próprio Reynaldo Gianechinni não faz nada para diminuir sua simpatia e dar espaço aos demais de sua espécie. Ele continua sendo cada vez mais Reynaldo Gianechinni. 

Quando anunciou-se que ele estava com câncer, lá no mais secreto do interior masculino houve uma expectativa pela sua morte, assim seria um homem perfeito a menos na disputa pela atenção das mulheres. E ele morreu? Nada, sarou e ainda agregou à si a imagem de homem batalhador, que não desiste da vida. Porra, Gianechinni, assim fica difícil. Reynaldo Gianechinni beira à perfeição. 

Como combater um concorrente desses? Só me resta a calúnia. 

Corre pela rádio-peão da Globo que ele tem mau hálito. Esse seria, inclusive, o motivo do fim do relacionamento dele com a Marília Gabriela, que dizia aos amigos que a vida era curta demais para se gastar tanto tempo comprando balinhas de hortelã. Atrizes que tem de encenar beijos com ele pedem adicional de insalubridade. 

Solteiro, rico e mora sozinho, ou seja, gay. Fala-se, inclusive, num amante argentino de 2,02m, a quem ele chama secretamente de “meu hombre” por telefone nos intervalos entre as gravações. 

Só toma banho aos sábados, o que resulta num chulé insuportável, atestado pelos colegas de cena que dizem ter dificuldade contracenar em qualquer situação em que ele não esteja calçado. Sem falar no cecê acumulado de dias sem ver a cor da água, ao que ele se justifica dizendo estar “colaborando com o planeta”, e diz ser um homem de “hábitos europeus”. 

E como é burro! Uma vez, quando questionado sobre qual seria o líder religioso mais influente do mundo, ele respondeu de pronto: Papa Mahatma Ghandi XVI. Sem contar que ele acha que “Islã” é um país. 

Não sabe usar internet e pensa que Whats App é algum site de celebridades. 

Além de tudo, tem seborreia e é petista.

A Garota no Trem - Paula Hawkins | #Livros






(Atenção: o texto a seguir contém spoilers!)

Rachel é uma profissional de Relações Públicas que coleciona fracassos na vida: perde o casamento e ainda é obrigada a ver Anna, a nova mulher do ex-marido Tom morar na casa que um dia foi sua; se afunda cada vez mais em porres de gim-tônica e vinho de supermercado, o que a leva a perder também o emprego; divide com uma amiga um pequeno apartamento na pequena Ashbury, cidade vizinha a Londres, mas que logo se torna um peso, já que falta o dinheiro do aluguel. Some a tudo isso uma depressão em estágio avançado que mina qualquer força que ainda reste. A única distração de Rachel no momento é tomar todos os dias o trem para Londres e fantasiar histórias com as casas de beira dos trilhos que vê pela janela do trem no caminho. Não todas, na verdade, mas uma casa específica: a casa número 15 e seu casal de jovens moradores, a quem ela resolve chamar de Jess e Janson, mas que depois descobre se chamarem Megan e Scott. Jess e Janson tem, na história fantasiada na cabeça de Rachel, o casamento perfeito: se amam, se protegem e confiam um no outro. Mas, com o sumiço de Megan, Rachel acaba se envolvendo de forma inesperada com a vida do casal e descobre que há muito mais coisas além do que suas histórias inventadas pensavam existir; e o que parecia ser algo distante de repente vira parte da vida de Rachel, o que a leva a entrar num estado de confusão entre realidade e sua imaginação, tudo em meio aos porres frequentes e seus lapsos de memória, que a fazem entrar em situações cada vez mais constrangedoras e perigosas. 

A Garota no Trem é o principal livro de Paula Hawkins, jornalista que trocou o Zimbábue por Londres aos 17 anos e que sempre teve curiosidade em saber o que acontecia nas casas à beira dos trilhos dos trens de Londres. Paula, que escreveu A Garota no Trem como sua última tentativa de emplacar uma história de sucesso, viu sua história tomar o lugar de nomes como O Símbolo Perdido na lista dos mais lidos da Europa, além de virar filme da Dreamworks, ainda a estrear. 

Por prometer ser uma história de suspense elaborada e eletrizante, confesso que esperava um pouco mais do livro. Muito mais do que um romance policial, a história acaba se revelando uma narrativa cheia de elementos psicológicos das personagens, principalmente de Rachel, uma jovem depressiva e problemática que insiste em fazer parte de algo, mesmo que para isso tenha de cometer burrices desnecessárias ("você não pode evitar ser quem é, mas pode evitar fazer o que quer fazer"); Rachel se menospreza o tempo todo diante das pessoas com quem convive, e faz muito pouco esforço para se reinventar, característica dos depressivos. Além disso, há a Anna insegura consigo mesma que depende do amor de um homem para se afirmar e Megan, a jovem cheia de problemas internos que desconta todos seus demônios em relacionamentos superficiais. Isso sem falar em Scott, o controlador que quer ter a vida do outro em suas mãos o tempo todo. 

Além disso, o livro é muito, mas muito pobre em descrições de lugares e pessoas - curioso que sempre reclamo das descrições cansativas em romances policiais, mas quando elas não existem fazem falta. Quase não dá pra mentalizar as personagens, apesar do esforço repetitivo da autora em mostrar uma Rachel feia e malcuidada, ante uma Anna bonita e sedutora, e uma Megan jovem e sexy. O enredo se mostra meio óbvio, principalmente por causa de umas pontas lançadas no decorrer do livro durante as narrações de Megan. Bom, pelo menos pra quem tem o hábito de ler romances policiais, a história soa meio clichê; parece ter sido escrita já com a finalidade de virar filme.

Mas nenhuma dessas críticas tiram o brilho de A Garota no Trem, uma história que conquistou milhares de leitores em 42 países não à toa; prende e te faz querer saber logo o desfecho da investigação. Li em 3 dias, em pé no ônibus, andando na rua, em casa - odeio ler em casa; faltei na academia e peguei ônibus com trajeto mais longo pra voltar pra casa, tudo pra ter mais tempo para saber qual seria a próxima burrada de Rachel. 

Não espere em A Garota no Trem uma história complexa, muito bem elaborada, cheia de reviravoltas nem detalhes, mas recomendo a leitura. É uma ótima indicação inclusive para quem está se aventurando agora nos romances policiais e se perde um pouco em tramas mais profundas.