"O ser humano é meio Vouyer". Entrevista com Ana Carolina Madeira

Ana Carolina Madeira



"Mulher sob capa de menina". Assim Pedro Bial definiu Ana Carolina Madeira, 25 anos, em sua eliminação na seminifinal do BBB 9, Reallity Show da Rede Globo, depois de enfrentar 6 paredões e vencer todos, graças a um carinho espetacular que ganhou de seu público durante os 82 dias em que esteva casa mais vigiada do Brasil.

Atualmente, além de contratada da Rede TV e participante de vários programas da emissora, entre eles o Manhã Maior, Ana mantém seu site pessoal, o Portal da Ana. Por telefone, ela concedeu essa interessantíssima entrevista ao blog. "Eu prefiro entrevista falada, por email sou monossilábica", disse logo no início.

E realmente! Com uma naturalidade surpreendente, difícil de ver em pessoas que ganham fama na TV, Ana Carolina falou sobre um pouco de tudo: carreira, BBB, paixão pelos animais e outros assuntos. Confira:




Você atualmente trabalha na Rede TV, participou de um reality show e é apaixonada por animais. Em todo esse universo, seu curso de Direito está, aparentemente, fora de tudo isso. Por que a escolha por direito? Na verdade, o Direito entrou na minha vida por acaso, e saiu por acaso, também. Eu havia sido aprovada no vestibular de veterinária, mas a faculdade ficaria muito longe da minha casa, e por isso estava procurando algum curso superior em faculdades particulares. Como na época (2004) os bingos eram um assunto recente e, meu pai era dono de um (hoje não é mais), pesquisei sobre o curso de Direito e resolvi fazer.

E pretende seguir ainda a carreira? Não, porque a profissão de advogado é uma área muito difícil de exercer, principalmente para mim, pois exige uma certa frieza a que eu não estou acostumada. Por exemplo, durante a graduação pegamos um caso de uma denúncia grave de uma criança que havia sido abusada pelo pai, e eu achava aquilo tudo muito forte, mas nao podia me envolver, então achei melhor poder me envolver de uma outra forma, longe da área de Direito.

Na sua monografia, você tratou sobre animais... Sim, consegui unir minha formação ao meu amor pelos animais. Meu tema de monografia foi "Direito de Experimentação Animal e o Direito de Objeção Consciente", e ganhei nota máxima.

E falando em animais, quando surgiu esse amor? Desde a infância? A primeira palavra que falei quando criança foi "au au". Minha mãe tem raiva até hoje disso.

Puxa, você gosta muito de animais, então. Sim, gosto muito. Muito mesmo.

Ana, na campanha "Adotar é Tudo de Bom"




Parece que os animais têm pouco espaço na TV aberta; não há muitos programas específicos. Acha que eles precisavam de mais espaço? Sim, acho que eles precisam de mais espaço, mas parece que, aos poucos, eles estão ganhando mais atenção dos programas de TV, é só ver os quadros de adestramento do Faustão, o SBT Animal, o Dr Pet, na Record. Espero que minha emissora logo tenha algo assim também...

Algo como... um programa seu? Sim, entreguei um projeto particular à emissora e está em análise, espero que dê certo. É algo de que gosto de falar, e sei que irei me dar bem falando de animais na TV.

Acha que a legislação brasileira protege eficazmente os animais? A nossa legislação é falha. As leis não são eficientes e visam muito pouco o bem estar do animal. Eu particularmente sou totalmente contra a experimentação animal. Matam os bichinhos sem critério nenhum, sem ao menos se preocupar com o sofrimento dos animais.

Acho que falta um pouco de consciência da sociedade, também... Sem dúvida. O termo "animal" hoje em dia ainda é usado em certas situações com sentido pejorativo, e isso precisa mudar.

Ana, durante o BBB 9



Falando um pouquinho sobre o BBB que você participou, o que você considera mais difícil na convivência em confinamento? Primeiro a saudade da família, viver longe de quem se ama, sem qualquer contato. Isso é o mais difícil. Além disso, ter de administrar as personalidades diferentes que vivem contigo na mesma casa é uma tarefa bastante complicada. Lá na casa eu fui uma das mais rejeitadas, e isso foi bastante complicado, era só ver quantas vezes tentaram me tirar de lá. Eu fui a recordista brasileira de paredões vencidos. E acho que mundial, também.

Foi a mais rejeitada lá dentro, mas muito amada aqui fora... Por várias vezes tentaram me tirar da casa, e sempre as pessoas se mobilizavam para me mantar lá dentro. Isso foi bom.

Falando nisso, você foi uma das mais queridas dessa edição... Sim, e isso foi bom, me deixaram ficar lá pelo maior tempo possível.

Como é receber tanto carinho? Ah, é muito bom, mas eu continuo sendo a mesma pessoa de antes. Não deixei de frequentar nenhum dos lugares que frequentava antes, como supermercado, locadora, continuo com minha rotina. A diferença é que agora sou conhecida, as pessoas pedem para tirar foto, mas continuo a mesma pessoa.

Em sua opinião, qual a grande sacada de realities shows como o BBB? Acho que o ser humano é meio "voyeur", gosta de observar a vida dos outros, gosta de participar da vida alheia. Por isso reallities dão tanto sucesso.



Além do prêmio, o que você acha que leva uma pessoa a expor sua vida por completo num reality show? No meu caso, foi exclusivamente o prêmio. O tempo todo em que estive lá pensava apenas em ganhar o prêmio e era eu mesma, para que o público gostasse de mim e me deixasse ficar.

Participaria de um reality show como o BBB novamente? Sim, dependendo do prêmio, contrato oferecido, participaria sim.

Gostaria de deixar alguma mensagem aos leitores do Blog Novas Ideias? Ah, quero agradecer pela entrevista, pedir que todos continuem acompanhando o blog, e agradecer pelo carinho de todos vocês, isso é maravilhoso pra mim. Um beijo a todos.



***

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Tá confirmado: Serra é candidato em 2010

Aécio Neves (PSDB), governador de Minas Gerais



Há muito tempo se sabia que Serra seria o candidato do PSDB para as eleições presidenciais de 2010, já que é o preferido em todas as pesquisas já feitas. Mas essa confirmação ainda não havia sido feita devido a intenção de Aécio Neves, governador de Minas Gerais e neto de Tancredo Neves ter lançado sua pré-candidatura, obrigado assim seu partido a lançar prévias entre os filiados.

Hoje, porém, Aécio decidiu desistir de sua candidatura, depois de perceber que seria difícil emplacar com Serra no páreo. Num discurso até interessante, Aécio comunicou sua intenção ao lado do presidente do PSDB senador Sérgio Guerra (PE).





Na minha opinião, Aécio tinha condições de governar o país, dada sua facilidade de articulação e de conseguir apoio. Porém, o nome dele não é tão forte no cenário nacional, e o partido não teria tempo de fazê-lo conhecido em menos de um ano. Isso atrapalharia a intenção dos tucanos de voltar ao poder depois de 8 anos. Para mim, Aécio representa mais abertura (Serra é conhecido por seu jeito tradicional e fechado de negociar), além de ser um nome diferente, mas experiente em política.



Bem, como não vou votar nem em PSDB muito menos me PT, para mim o resultado não fez muita diferença. Mas no cenário político, a decisão de Aécio marca coisas interessantes: uma briga entre Aécio e Serra podeira dividir o partido, famoso por se dividir facilmente. Aécio ainda é jovem, tem uma longa carreira política pela frente, principalmente por ter boa popularidade entre os mineiros.

Dá mais um cadim de tempo pra ele, uai!

O "choque cultural" de Justus



Roberto Justus é CEO do Grupo Newcomm e vice-presidente da Y&R. Em 27 anos à frente de agências que já produziram campanhas memoráveis, revelou inúmeros talentos criativos e entrou para a história da publicidade brasileira.

Justus iniciou sua carreira na área de comunicação em 1981, como sócio da Fischer, Justus Comunicação. Depois de 18 anos, deixou a sociedade para fundar sua própria agência, a Newcomm Comunicação Integrada. Já escreveu dois livros "Coinstruindo uma Vida" e "O Empreendedor", onde conta histórias desau vida e dá lições de empreendedorismo. Em 2009, Justus assinou contrato de 4 anos com o SBT de Sílvio Santos para programas de auditório, o que marcou a chamda "nova fase" do SBT.

Justus sendo apresentado por Sílvio Santos como novo contratado da emissora

Quando vi a notícia da contratação de Justus pelo SBT, logo pensei em algo que, na época, não comentei com ningúem, mas eu sabia que iria acontecer, e está se revelando: a diferença entre Justus e o público do SBT. Justus cresceu em meio às classes A e B, estudou nas melhores escolas, formou-se Administrador pela Universidade Mackenzie e tem relacionamento com pessoas de alto escalão das maiores empresas do mundo. Alguém a se respeitar.

Já o SBT tem sua base no público popular, principalmente as classes C e D, maiores públicos da emissora. O SBT nasceu dos programas de auditório de Silvio Santos na TV Globo e TV Record. Silvio tem fortíssimo apelo popular. E o SBT mantém esse perfil desde sua criação em 1981, o que trouxe muitos resultados satisfatórios para o dono do Baú da Felicidade e da Tele Sena. Até hoje, o SBT é uma emissora popular, e qualquer tentativa de "elitizar" a emissora pode ter danos sérios. O SBT é uma emissora "do povo", como se diz no jargão popular, e não há qualquer necessidade de se mudar isso.

Juntar a formação de Justus com o público popular do SBT é uma tarefa no mínimo complicada. Isso tem ficado evidente no programa de Justus no SBT, o 1 Contra 100. O formato é ótimo, comprado da holandesa Endemol (a mesma produtora do BBB). Porém Justus tem mostrado um "choque cultural" com sua emissora. Isso ficou evidente no último programa, em que ele recebeu a humorista Lívia Andrade. As diferenças entre Lívia e Justus foram gritantes. Lívia não soube responder o nome de um dos 3 Mosqueteiros, o que deixou Justus visivelmente decepcionado.

Lívia Andrade


Justus ainda precisa aprender a não se envolver com os acontecimentos de seus programas. Ele muitas veze toma partido e o resultado nem sempre é bom, como em um determinado programa onde ele chama o participante de "medroso" sem qualquer cerimônia, e ainda faz questão de repetir.

Não dá pra duvidar da capacidade de Justus com o público. Além de gostar de programas e de TV, Justus tem uma determinação para apernder que surpreende muita getne que já está na TV a um bom tempo. Mas ele e sua emisora precisam rever melhro esse "choque", que tem trazido situações no mímino constrangedoras para ambos.

Tanto porque agora, no SBT, ele não pode "demitir" ninguém.

Polígrafo nos olhos dos outros é Audiência. Ou exploração?

Postado por Alvim Dias



Pessoal do Novas Ideias, tudo bem com vocês? Como tá tudo muito bem, obrigado!

Vários são os programas que mostram e espetacularizam a vida de pessoas simples na televisão. "Márcia", "Casos de Família", "Ratinho" (em outras épocas), são alguns exemplos.

Mas, será que é benéfico mesmo para estas pessoas exporem suas vidas na TV? Será que os "conselhos" e "opiniões alheias" recebidas por estas nestes "espetáculos" são pagamento justo para tamanha exposição? Nos Estados Unidos já houveram casos extremos. Um rapaz, após ter sua vida mostrada num programa estilo "Márcia", matou uma pessoa e foi condenado a 25 anos de prisão.

Será que não está na hora dos programas "tupiniquins" que seguem esta linha, adotarem um acompanhamento psicológico destas pessoas/famílias pós exposição? Os "tracinhos" no Ibope são muito bons, rendem muito dinheiro, mas será que valem mais do que a dignidade e a saúde psíquica destas pessoas?

Será que tem preço submeter pessoas, que em sua maioria não tiveram tanto acesso a educação, a estas experiências possivelmente tão traumáticas?

Polígrafos e "piscinas de Maizena" nos olhos dos outros? É audiência. É exploração!

Um Salve pra vocês!


Alvim Dias é publicitário, tem 26 anos e é administrador do blog Pimentas do Reino.

A menina Hippie e o Caça-Comunista

Por Silvana Ferrari Silva, com colaboração de Weslley Talaveira

Meu nome é Helena, tenho 58 anos e sou viúva. De vez em quando tenho lembranças de tempos antigos, de minha juventude. Não que me considere velha, nada disso, mas acho que relembrar os tempos antigos e comparar com o atual é algo fantástico, principalmente para quem já levou as cacetadas da vida que eu levei...

É, a vida não foi nada fácil comigo. Começando dos últimos acontecimentos para os primeiros, num momento meu "à la" Bras Cubas, perdi minhas empresas depois de ser vítima do sistema financeiro e bancário, que privilegia o capital em detrimento das pessoas. Perdi meu marido, vítima de um infarto fulminante depois de um dia normal e comum de trabalho. Meu marido sempre foi meio imprevisível, sabe? Até na hora de morrer não deu nenhum aviso para ninguém.

Mas na verdade, o que quero rememorar não é bem exatamente isso. Prefiro viajar um pouquinho no tempo e lembrar de minha adolescência e juventude, vivida intensamente em meio a tempos de Ditadura Militar. Vi a queda do presidente Goulart, a posso dos generais, o AI-5,e tudo mais quie todos sabem. Tive amigos do antigo colegial (acho que corresponde ao segundo grau) arrastados para fora da sala de aula, e nunca mais serem vistos, por causa da caça do Governo aos "comunistas".



Quando me casei em 1974, meu marido Antônio deixou a barba crescer (nunca mais tirou) só porque eu achava o Che Guevara lindo! Não é romântico isso? E só isso bastou para que, numa noite, eu e ele num barzinho da rua Nestor Pestana (eu meia hippinha) fossemos abordados por agentes do DOI - CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) que, com uma indelicadeza ímpar, pediram nossos documentos e, depois de nos ofenderem chamando-me de puta moderninha e hippie filha da puta e a meu marido de barbudinho comunista, jogaram na nossa cara de volta os documentos. Eu tremia mais que gelatina ao ver que muitos eram tirados dali, aos pontapés. Que sorte a nossa! Tudo porque o sujeito que tocava violão no barzinho, que foi inclusive o primeiro a ser arrastado pra fora, cantava um bom MPB, desses dos festivais da Record.

Depois lá por volta de 1978, tinhamos uma farmácia ali na Rua Américo Brasiliense e meu marido tinha muitos contatos com pessoas dos grêmios empresariais. E fez vários convênios com eles, onde todos os funcionários teriam desconto em nossa drogaria. Fez parceria com a Monark, com a Magal, com a Caloi, com a metalurgica Niagara, etc. Os peões metalúrgicos enchiam a drogaria na hora de almoço! Com o sucesso, meu marido decidiu ampliar o convênio para cosméticos e artigos de perfumaria, e com isso ganhamos as esposas e filhas. Imagine: lotavam a farmácia, escolhendo os produtos, com a carteirinha dos maridos. Elas faziam a festa!

Pra que fomos fazer isso!

Por causa desse movimento na farmácia, alguém fez uma denúncia no DOI-CODI e, num belo dia, quando cheguei na loja com meu filho ainda bebê, os funcionários apavorados me disserem que uns agentes do órgão haviam levado meu marido pra "averiguações". Os pobres funcionários contaram que os agentes foram até educados, que queriam apenas explicações sobre essa movimentação com os peões de fábrica. Imagine, época em que o Lula já tinha sido preso, meu marido com a indefectível barba, rodeado de peão de macacão de brim azul!



Bem, eu fiquei desesperada! Meu cunhado foi até a sede do DOI-CODI na Rua Tutoia com um advogado que nem me lembro mais quem para procurar informações. Informações? Em plena ditadura militar?

Meu marido só voltou no outro dia as 7 da manhã. Alguns funcionários dormiram ali na drogaria mesmo, eu fiquei na casa da minha sogra que morava ali perto; quando ele entrou os meninos quase morreram de susto, achando que os agentes haviam voltado pra os buscar...

Meu marido foi para a casa da minha sogra onde eu estava com meus 2 pequenos, todo mundo desesperado! Meu cunhado andando de necrotério em necrotério, delegacias, etc. E tudo isso numa época em que celular nem existia, ficamos totalmente sem notícias.



Depois ele contou que só tomou uns empurrões, e perguntaram mil vezes como era "aquele negócio de reunir os peões lá na farmácia", que movimento era, se ele financiava alguma organização e etc. Depois ficou numa sala escura sentado no chão e de hora em hora vinha alguém com a mesma questão. Quando estava no carro com os "gentis" senhores, mostraram à ele várias fotos dele com os peões na padaria onde eles sempre se reuniam para beber cerveja e olhar a bunda das mulheres (sim, naquela época também se fazia isso). Os agentes haviam fotogradado meu marido por várias vezes. O que o salvou é que tínhamos um cliente muito amigo do Antônio, o Dr. Costa Primo, desembargador, e lá ele falou no nome dele. Só depois ficamos sabendo que os agentes entraram em contato com o Dr. Costa, e ele explicou aos nobres agentes que meu marido era apenas um comerciante, etc, etc. Depois o próprio Rui falou conosco e disse ao meu marido que não desse sopa na padaria com peões... Mas foi punk, e nem foi no século passado. Isso aconteceu a uns 30 anos, talvez isso, ou menos.

Tive ainda um amigo chamado Epaminondas, que foi encontrado morto amordaçado na Avenida João Dias, atrás da Biblioteca Kennedy, onde ele com seus óculos fundo de garrafa ia ler Marx, ou outro comunista qualquer... Ao lado do corpo, uns livros queimados. Nem sei como não puseram fogo no corpo, que era uma das formas favoritas deles de exterminar comunistas.

Bem, vou ficando por aqui. Muita gente nem lembra mais dessas coisas. Também, pra que, né?

Helena Alvarez




Silvana Ferrari Silva tem 53 anos e é empresária.

O Bicho

Postado por Orfeu

Descobri um bicho novo, esquisito, imaginativo. Daqueles que povoam as mentes do povo do Nordeste, e dos reis ricos e malignos do ocidente médio. Pois é, ele tava ali, eu acordei e vi ele me olhando e encarando. Tinha olhos pequenos, mãos grandes de apertar, e era peludo, com uma pele sedosa e macia. Achei-lhe formoso, e tentei pegar, ai do pulo que deu. Era arisco. Jesus, penso eu, será que come muito?

Resolvi dar biscoito ou chocolate cookie. Ora sou homem, não sei lidar com bicho. Sei? Deve beber água. Será que bebe ? Enquanto escovava os dentes, fui até a geladeira, com a escova no dente, e pingos de pasta branca caindo no carpete de minha mãe, enquanto escutava “eu te mato, meu carpete de novo”. E o bicho continuava pulando atrás de mim.

- Mãe de onde saiu esse bicho ?
- Que bicho menino ta doido ?
- Esse aqui perto de mim
- Vou te levar pro psicólogo

É, ela ainda não viu ... O quê você come? Ele só me olhava, com aqueles olhos apertados. Quando eu entreguei cereal pra ele, escutei bem baixinho:

- O quê é isso? Ruim.
- Cereal bicho, come que tu vai gostar
- Ruim.

Dei umas risadas gostosas dele, com aquela cara de piedade, e me arrumei. Perguntou p’ronde eu ia. “Ao colégio, jovens fazem isso”. Ele pulou na bolsa. Fica aí rapaz, tenho que guardar pertences. “Vou com você”. E ele foi mesmo. Percebi que ele me acompanhava pra onde eu fosse, só que só eu via isso. Comecei a pensar que estava doido. O psicólogo disse que eu estava passando por uma fase de novas descobertas, mas não me convenceu, aquele velho doido.

E quando eu sorria, ele pulava, e quando eu dormia, ele fazia cócegas no meu pé, e quando eu chorava, passava a língua na minha orelha. Perguntava constantemente, o quê é isso, o quê é isso, o quê é aquilo? E eu sempre falava, falava, e falava. Q’ele bicho me cativava, e não comia, era barato. Não fazia sujeira, e só eu via. Ele começou a crescer, crescer, e crescer. Ficou mais ou menos do tamanho de um ursinho, e andava pendurado em mim. E quando eu assistia o jogo, ele olhava quieto para a televisão, maravilhado.

De onde tu veio bicho (ainda não sabia que nome dar pra ele)? Ele sempre respondia: de você! Mas eu não entendia como um bicho daqueles saiu de mim.Não conseguia explicar o quê ele era, era uma coisa diferente de todas, mistura de São Bernardo com cobra e borboleta. E o bicho não saía de perto de mim, e eu me apegava a ele, com zelo e atenção. E ele me acompanhava pra todo lugar. E eu levava ele até pro rio. Nunca consegui mesmo arrumar um nome pra ele, nunca consegui mesmo fazer com que alguém visse ele.

Um dia vi uma mulher, muito linda, cheia de graciosidade. Na verdade, era uma garota, na verdade, era uma mulher, na verdade, era tudo. Ela sempre sentava na janela, e seus cabelos balançavam ao vento. E eu olhei pra ela bastante. O bicho me cutucava toda vez que ela via. Eu não entendia o por quê de estes cutucões nas costelas. Um dia ela passou e o cutucão veio forte, eu meio que gritei: “Ai bicho”. Ela percebeu. E começou a olhar pra mim, e sorrir. Percebi que todas as outras vezes, ela continuava a sorrir para mim. E começamos a conversar.

E conversávamos, conversávamos, conversávamos. Eu falava de mim, ela falava dela. Ela era muito linda, e eu gostava dela, gostava do que ela falava. Um dia, eu dei um beijo nela. Beijo tímido, de adolescente na puberdade. E ela me deu outro. Eu não contei do bicho pra ela. Já imaginou se ela descobre desse bicho, e me acha doido? Melhor não contar. E o bicho tinha parado de me cutucar. Um dia desses de sol gostoso, a gente esteve sentado debaixo de um pé de maçã. Então ela olhou pra mim, e perguntou:

- E esse bicho ?

Eu olhei pro bicho, e ele olhou pra mim. Sussurrei:

- Bicho, ela consegue te ver
- Eu sei que consegue. Pode me entregar pra ela agora ?
- Por quê ?
- Por quê eu sou seu, mas você tem de me entregar pra ela. Vai me ver todos os dias.

Eu olhei para ela e falei

- Quer p’roce ?
- Quero muito.

Então tudo fez sentido. O nome daquele bicho, era “Amor”.



Orfeu tem 19 anos, é estudante, "escritor, poeta, compositor, aux. administrativo, e vários outros empregos (in)formais"

Não consegue falar com as mulheres? A Microsoft ajuda!


Sim! A empresa do nerd Bill Gates lançou o Xbox 360, um programa que promete ajudar a praticar a arte de sedução. O programa coloca o jogador frente a uma bonita garota simulando uma conversa. As opções de diálogo vão surgindo na tela, indicando ao jogador quais são as palavras mais adequadas para cada ocasião.

Apesar da variedade de respostas não ser muito grande, não é por causa disso que deixará de ser uma ferramenta útil para os mais tímidos ou para aqueles que não tem lá muita sensibilidade para falar com o sexo oposto.


O namoro proibido do Brasil

Hillary Clinton, Secretária de Estado Norte-Americana

Hoje, em pronunciamento na Casa Branca, a Secretária de Estado americana Hillary Clinton advertiu aos países latino-americanos que "flertar com o Irã pode ser perigoso", numa clara alusão à visita do presidente iraniano Mahamud Ahmadinejad aoas países americanos, em especial ao nosso Brasil onde, sob protestos, foi recebido com fartos sorrisos pelo nosso presidente Lula.

Desde o primeiro ano do governo Lula o Brasil vem adotando a estratégia de se mostrar avesso à tudo que venha dos EUA. Em alguns pontos essa estratégia deu até certo, dando ao Brasil uma visibilidade no mundo até então nunca vista. Como diria Lula, "nunca antes na história desse país" o Brasil foi tão bem visto lá fora.



Mas essa visibilidade corre sério risco de ser comprometida, se o governo continuar insistindo em fazer frente a tudo que venha dos EUA de forma indiscriminada. Isso inclui essa amizade com um país perigoso e repudiado pelo resto do mundo, como o Irã, com direiro a apoio ao programa nuclear iraniano e tudo. Esse temos foi brilhantemente comentado aqui no Novas Ideias pela minha amiga Mia Palenzuela, e hoje, depois do pronunciamento da esposa do Bill, pensei o quanto o Brasil pode estar se queimando. Ao inves de se afinar com o restante do mundo, Lula prefere se aliar a malucos terroristas como Ahmadinejad, ou com Hugo Chaves.

Assim o país não sai da m***, presidente!


"Viver a Vida" realmente não tem vida?

Postado por Alvim Dias

Leitor(a) do blog "Novas Ideias",



É muito bom fazer parte deste projeto tão bem feito, quanto o blog comandado pelo meu amigo Weslley Talaveira. Não sei se serei de alguma valia, mas ... vocês vão ter que me engolir! rs

Vamos ao assunto do post. Vocês assistem a novela "Viver a Vida", escrita pelo Manoel Carlos (Maneco)?

Já assisti alguns bons capítulos e não consigo entender porque ela recebe tantas críticas. Aliás, tenho minhas suspeitas sobre estas razões.

Vocês lembram da novela "América", da Glória Perez? No início ela era dirigida pelo Jaime Monjardim e com a produção musical a cargo de Marcus Viana. Jaime e Marcus deram um tom mais "Maneco" a novela. Capricharam na escolha musical, nos diálogos.... enfim.



Só que, o "capricho" deles não fizeram subir o ponteirinho lá do IBOPE Paulista... daí, para não vestir a carapuça sozinha, Glória brigou e jogou tudo nas costas do Jaime... o final vocês já sabem, o colocou no olho da rua!

Depois disso, a novela "América" recebeu uma "tinta" mais popularesca, com direito até a Ivete Sangalo na abertura, em detrimento ao célebre Milton Nascimento.

Voltando a novela "Viver a Vida", para alguns ela pode ser "chata", mas é importante observar que as novelas do Maneco são voltadas as "discussões de relações".



Num mundo tão individualista e que cultua hipocrisia e o sarcasmo, quer coisa mais chata do que se "discutir uma relação"?

Este termo "discutir relação" se tornou muito pejorativo... tudo culpa das chatééérrimas (mas, tão necessárias... ah, como são!) mulheres!

Maneco explora as nunces dos diálogos, dos sentimentos, das reações... enfim, ele tenta "poetizar" o que hoje se tornou tão corriqueiro: o "Dia-a-dia".

A única crítica que faço ao Maneco é na escolha de Taís Araújo como sua "Helena". Mas, isso já é assunto para outro post...

Será que o Weslley deixa eu voltar?

Um salve pra vocês!


Alvim Dias é publicitário, tem 26 anos e é administrador do blog Pimentas do Reino.
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